Mapfre Investimentos: Economia brasileira em meio aos ventos externos

Crise nos mercados globais impacta demanda por produtos nacionais, mas país pode aproveitar o momento para barganhar.

Opinião do Analista / 16:29 - 11 de jul de 2019

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A necessidade é a mãe da criatividade. Jamais os Bancos Centrais das principais economias no mundo tiveram de ser tão criativos. Não por acaso. O FMI não se cansa de reduzir suas projeções de crescimento da economia mundial - a estimativa agora é de expansão de 3,3% do PIB global em 2019, abaixo da expectativa de 3,9% da mesma fonte há um ano. E, mais do que alertas, há evidências, como a estagnação do volume do comércio mundial.

Por essa razão, os dois maiores Bancos Centrais, o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE), preparam novos ciclos de afrouxamento monetário, movimentos a serem seguidos no Japão e Inglaterra.

Interessante observar que essa desaceleração da economia global não está desconectada de questões políticas regionais. Nos EUA, apesar do momento de pleno-emprego, outros indicadores apontam menor dinamismo. Resultado, em parte, do contencioso comercial com a China. O presidente Trump sabe que, se a perda de tração da economia norte-americana coincidir com a temporada eleitoral de 2020, seu projeto de reeleição pode ser abortado. Por outro lado, o líder também tem consciência que não será perdoado por seus eleitores e, muito menos, pela oposição caso volte de mãos abanando das negociações com a China. Ou seja, um frágil equilíbrio.

Na Europa, a sensibilidade é ainda maior. O BCE já está preso ao zero-bound, sem muito espaço para ciclos de afrouxamento monetário adicionais. Junte-se a isso a heterogeneidade das economias europeias. Enquanto economias deficitárias apreciam taxas de juros negativas, economias superavitárias certamente não veem esse expediente com bons olhos. Isso dificulta ainda mais o trabalho de orquestração política do BCE. E mais do que isso, essa discórdia acentua regionalismos e separatismos. O Brexit é fruto disso.

E como fica a economia brasileira em meio a esse contexto? Não sabemos se estamos diante da estagnação secular descrita por Larry Summers, mas é possível que a atual letargia global perdure por um bom tempo. É verdade que as exportações nacionais não estão imunes a esse quadro. Já há fartas evidências de menor demanda por nossos produtos, conforme figura abaixo. Por outro lado, o Banco Central do Brasil poderá se dar ao luxo de manter taxas de juros estimulativas por um longo período. E mais do que isso, podemos nos valer de barganhas políticas típicas de momentos de crise. O acordo do Mercosul com a União Europeia resulta dessa oportunidade.

 

Carta do gestor: Reforma passa em seu primeiro teste, e cenário externo benigno agradam investidores

As pressões sobre os líderes do Congresso e, sobretudo, do Centrão surtiram efeito. Após várias versões e alterações na proposta inicial do relator, foi aprovada na semana anterior uma proposta de PEC na comissão especial prevendo economias aproximadas de R$ 1 trilhões em 10 anos. Nada mau, considerando as dificuldades de articulação por que passou o projeto ao longo de sua gestão, da impopularidade da medida em si e das enormes expectativas que a cercam.

Passado o primeiro teste, aguardam-se agora as votações no plenário da Câmara, antes do recesso parlamentar.

Espera-se que a aprovação definitiva da PEC da previdência abra espaço para outras pautas econômicas relevantes e mesmo necessárias para a retomada do crescimento, como a reforma tributária, a revisão do pacto federativo (com redistribuição de recursos para Estados e Municípios), a retomada da agenda de privatizações, abertura e flexibilização do mercado de gás natural, medidas de estímulo à demanda (uso de recursos do PIS/Pasep e do FGTS) e ao crédito, com melhorias na estrutura e nos sistemas de registro e controle de garantias.

Com estas medidas no radar, espera-se um desempenho para o PIB no segundo semestre ligeiramente mais positivo que os frustrantes seis primeiros meses de 2019.

É razoável esperar ainda contribuições pontuais do cenário externo, considerando as perspectivas para as exportações brasileiras de carnes e os benefícios de acesso ao mercado europeu esperados com a implementação do acordo anunciado entre Mercosul e UE.

No cenário externo, o sinal segue preponderantemente benigno, a despeito de tensões geopolíticas pontuais. Estas concentram-se atualmente entre EUA e Irã, a propósito de i) suposta autoria de atentados contra navios petroleiros no estreito de Ormuz, e ii) a decisão do país de aumentar unilateralmente seus limites de aquisição e enriquecimento de urânio, fatos que têm adicionado considerável volatilidade sobre o mercado de petróleo e ainda valorização para os metais preciosos.

Ainda, segue em aberto a disputa comercial entre EUA e China, embora na última reunião do G-20 tenha sido anunciado um relaxamento temporário na aplicação de sobretaxas previstas anteriormente, assim como suspensão das sanções sobre a companhia de tecnologia Huawei. Além disso, foram conhecidos na primeira semana do mês os dados do mercado de trabalho americano referentes a junho, apontando a criação de 224 mil vagas e uma taxa de desemprego de 3,7%, leituras mais fortes que o esperado e que acabaram frustrando as expectativas de relaxamento da política monetária por parte do Federal Reserve.

Em relação à performance dos fundos administrados, a carteira da Mapfre Investimentos de renda fixa e multimercados seguiu se beneficiando do fechamento da curva de juros e da devolução de prêmios com o avanço da reforma da previdência. Na renda variável, a performance foi igualmente positiva, impulsionada pela renovação das máximas nos índices de referência e realocações pontuais em nossas carteiras.

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