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Mapfre Investimentos

Opinião do Analista / 13 Março 2018

Cenários externo e interno favoráveis tiram fundamentos da economia brasileira do foco

Há sinais de que a conjuntura internacional beneficiará a economias emergentes neste ano, incluindo a brasileira. A aceleração do crescimento global, com demanda em alta, terá efeitos positivos sobre os preços e as quantidades das exportações de commodities. A tendência de expansão fiscal nos EUA, por conta da reforma tributária, e a liquidez do mercado de capitais, apesar da elevação das taxas de juros nas economias centrais, reforçam essa expectativa.

Além do cenário externo favorável, a conjuntura doméstica também será de recuperação da atividade econômica. Contaremos, com base de comparação ainda deprimida. Não por acaso, 2018 será marcado por retomada das vendas varejistas, da produção industrial, da prestação de serviços e da geração de emprego. E essa retomada econômica ocorrerá sem pressões inflacionárias: a associação entre inércia inflacionária e ociosidade da capacidade produtiva favorece a contenção de preços. Por fim, em termos fiscais, o impacto desse novo fôlego sobre as receitas tributárias será positivo.

No Brasil, o debate eleitoral deverá ganhar relevância crescente ao longo dos próximos meses. Temas não econômicos, tais como educação, saúde, transportes e segurança pública, ganharão ainda mais destaque. Basta ver a reação dos mercados desde o início do ano: o real se apreciou, a Bolsa subiu e o risco país caiu. Ou seja, o novo rebaixamento da classificação de risco soberano do Brasil e a não aprovação da reforma da previdência não impactaram preços de ativos financeiros.

Mas até que ponto essa mudança de foco do mercado irá colocar em segundo plano o enfrentamento do principal desafio estrutural da economia brasileira, o desequilíbrio fiscal? O risco é de que a conjuntura internacional e a recuperação cíclica da economia nacional neste ano retirem o senso de urgência das reformas necessárias, como a previdenciária. Vale lembrar que o desafio de ajustar as contas públicas continua presente. O endividamento público continua em alta, conforme figura abaixo. Seguimos atentos aos riscos e oportunidades desse cenário.

 

Carta do gestor - Fevereiro foi de volatilidade elevada e aumento de aversão a risco nos principais mercados internacionais, com os investidores preocupados com o ciclo de aumento de juros nos EUA, após a divulgação de números de inflação acima do esperado pelos economistas. As principais Bolsas internacionais tiveram grandes perdas, com desvalorizações superiores a 3% no mês.

Já a Bovespa, apesar do noticiário negativo no período, descolou-se do mercado externo e subiu 0,52%, encerrando fevereiro com 85.353 pontos. Observamos certa reversão do fluxo de investimentos externos na Bolsa brasileira, com saída de R$ 4,23 bilhões. Porém, no ano o saldo permanece positivo em R$ 5,3 bilhões.

A Mapfre Investimentos vê com otimismo as ações brasileiras para o primeiro semestre do ano, com a recuperação dos resultados trimestrais de diversos setores da economia, em um cenário de juros baixos e inflação controlada. Já no segundo semestre, o cenário eleitoral terá mais peso sobre os mercados e será fator de maior volatilidade. A continuidade da entrada de recursos estrangeiros na Bolsa e a migração de recursos de renda fixa local para renda variável deverão dar fôlego adicional a Bovespa. A empresa reduziu um pouco o peso / risco do portfólio de renda variável dos fundos multimercados, após algumas operações atingirem o preço-alvo e serem capturados ganhos relevantes em curto espaço de tempo.

No mercado de renda fixa, o Banco Central cortou novamente a taxa Selic em 0,25%, para 6,75% a.a. e sinalizou no comunicado o possível encerramento do ciclo de cortes. A curva de juros registrou forte queda, com os investidores reduzindo o prêmio dos juros futuros após o Comitê de Política Monetária (Copom) e os números de inflação abaixo do esperado divulgados. Foram capturados ganhos interessantes com o fechamento da parte mais curta e intermediária da curva de juros. Seguimos posicionados com operações de arbitragem nos vencimentos mais longos.

Já no mercado de renda fixa internacional, Jerome Powell, novo presidente do Fed, o Banco Central dos EUA, tem adotado um discurso a favor de mais altas de juros que sua antecessora. Com a economia americana apresentando números robustos de crescimento e a inflação acelerando, o mercado já começa a precificar quatro aumentos de 0,25% em 2018. Seguimos posicionados comprados em taxa no treasury de 10 anos, mas reduzimos a exposição no ativo ao longo do mês.