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Mais um ano para ser esquecido

Opinião / 12 Janeiro 2018

Ao apagar das luzes de 2017, não há muito que comemorar no Brasil e, particularmente no Rio de Janeiro. A celebração do Natal e Réveillon que contagia a todos contrastam com a realidade perversa que se arrasta no país nos últimos anos. Crises política, econômica e, acima de tudo, moral e ética intermináveis, atingindo cada federação e, de forma cruel, aquela que já foi a capital do país.

O alto escalão da política nacional não para de oferecer novos protagonistas da corrupção. Prender e soltar passaram a ser a pauta do dia. Antigos figurões insistem em desafiar a lei, confiantes na impunidade e nos foros privilegiados.

 

Transformação maior e

necessária, utilizando o voto

 

Assim, até os poderes entraram em conflito, divergindo e disputando uma queda de braço sem muito sentido, considerando as sucessivas evidências levantadas pelas polícias e Ministérios Públicos de todo o país. No Rio, a mancha será eterna na história de nosso estado. Todos os governadores das últimas décadas são alvo de investigações policiais e de condenações já deferidas nas primeiras instâncias.

E quem paga a conta é a população. Os funcionários públicos cariocas e fluminenses, por exemplo, estão há pelo menos dois anos passando por maus lençóis, com salários atrasados. E isso se estende aos aposentados e pensionistas. O desemprego é grande e alguns se viram no mercado informal, mas outros nem isso. Empresários e comerciantes nunca passaram por tamanha crise, na qual a taxa de empresas fechadas bateu todos os recordes.

Chegamos sim a um novo ano, mas não há celebração sem alegria. Não há brinde sem motivos. Não há ceia sem mesa farta. Definitivamente, 2017se foi como mais um ano para ser esquecido. Leva com ele más lembranças, mas deixa de herança para este que inicia uma herança de incertezas e promessas evasivas.

Tradicionalmente, o réveillon representa a renovação de nossas esperanças, a crença por dias melhores e expectativa por novas realizações. Infelizmente, no atual cenário, não há sequer uma fresta de luz no fim do túnel em curto ou médio prazo. No entanto, cada um de nós pode fazer de 2018 o início de uma transformação maior e necessária, utilizando o voto, maior instrumento democrático, como arma de consciência e renovação, tirando de cena figuras carimbadas e que tanto vem prejudicando o Brasil, seus estados e seu povo.

 

 

Marcos Espínola

Advogado criminalista.