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Mais mulheres no governo, menos corrupção

Internacional / 11 Julho 2018

Estudo mostra que países com maior presença feminina na política são menos vulneráveis a desvios

Um estudo publicado no Journal of Economic Behavior & Organization pelos pesquisadores Chandan Cuma Jha e Sudipta Sarangi, do departamento de Economia da Universidade Virginia Tech nos Estados Unidos, apontou que a corrupção é menor onde mulheres participam em maior número no governo. A análise foi feita em mais de 150 países, entre eles o Brasil.
“Esta pesquisa ressalta a importância do empoderamento das mulheres, sua presença em cargos de liderança e sua representação no governo”, disse Sarangi, professor de economia e chefe de de-partamento da Virginia Tech. “Isso é especialmente importante porque as mulheres continuam sub-representadas na política. Na maioria dos países”, complementa o pesquisador.
O artigo refuta ainda a hipótese de que a atitude em relação à corrupção são inteiramente devidas a diferenças de gênero no status social, e desaparecerão com o tempo quando as mulheres adquiri-rem status socioeconômico mais igualitário. Quanto maior a igualdade de status dos países em que há mais mulheres no governo, menor é o nível de corrupção.
O estudo concluiu que é na formulação de novas políticas que as mulheres podem ter um impacto sobre a corrupção. Pesquisas anteriores estabeleceram que uma maior presença de mulheres no governo também está associada a melhores resultados de educação e saúde.
No Brasil, segundo informações do G1, a lei em vigor atualmente prevê que pelo menos 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino. Em 2016, contudo, as mulheres representaram 86% dos 18,5 mil candidatos que não receberam voto – de acordo com especialistas, a lei incentivaria “candidaturas laranjas”, de candidatas registradas apenas para cumprir a cota.
As nações que apresentam maior percentual de mulheres no Parlamento são Ruanda (63,8%), Bolívia (53,1%), Cuba (48,9%), Islândia (47,6), Suécia (43,6%), Senegal (42,7%), México (42,4%), África do Sul (41,8%), Equador (41,6%) e Finlândia (41,5%).