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Mais médicos ou menos médicos?

Os patriotas abandonam os postos, o custo do passeio de Bolsonaro e a ameaça dos agrotóxicos.

Empresa-Cidadã / 19 Março 2019 - 19:34

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Mais Médicos em Nova Friburgo reflete o país?

O que ocorreu no município de Nova Friburgo, situado no estado do Rio de Janeiro, com os seus belíssimos cenários e as suas culinárias insuperáveis, estimuladas pelo friozinho confortável de montanha, em relação ao programa Mais Médicos seria um caso isolado ou generalizado no Brasil de hoje?

Vinte e dois médicos ligados ao programa atuam no município. Em 2018, numa crise persecutória, alguém viu espiões entre os 11 médicos cubanos que agiam no município e tratou-os como se assim o fossem, não deixando ao governo cubano outra alternativa senão a da volta para casa.

De afogadilho, sem planejamento ou gestão adequados, o Governo Federal lançou então um edital para preencher mais de 8.500 vagas ociosas de médicos do programa. No município em questão, chegaram 11 médicos, em dezembro, para substituir os cubanos. Em janeiro deste ano, mais dois, completando a cota estipulada pelo Ministério da saúde, de 13 médicos.

Até que, em março de 2019,os dois médicos que chegaram em janeiro foram embora e outros três se evadiram, dois por término de contrato e um por desligamento antes do final do contrato. Apesar das muitas bravatas ouvidas em dezembro de 2018 sobre prováveis prejuízos à população, o processo de eventual reposição dos médicos evadidos não tem previsão de prazo para ocorrer, nem mesmo garantia de que ocorrerá.

No lugar de médicos, a população ganhou na verdade um cobertor curto, resultado dos remanejamentos dos médicos remanescentes em que o município tem que se virar para fazer verdadeira a improvável equação 8 x cobertor curto = 13. Em sua assistemática sabedoria, minha avó já dizia “não bole com o que está quieto...”

 

Preço da frustração da participação (?) em Davos

Considerando-se que o avião oficial utilizado para transportar o presidente da República e comitiva até Davos (Suiça) equivalha a um A320 e que esta comitiva tivesse cerca de 120 membros (subestimado) e ainda que tenham partido do Rio de Janeiro, onde fica o condomínio onde residem o presidente e seus vizinhos, alguns notórios, é possível estimar o custo do combustível utilizado no voo, com o QAV ao mesmo preço de agosto de 2018, a saber R$ 3,30.

Teriam sido utilizados entre 120 mil litros de QAV a 320 mil litros, equivalentes a algo entre R$ 198 mil a R$ 396 mil. Ou seja, o custo final foi de R$ 16,5 mil a R$ 132 mil por membro da comitiva. Considerando ainda que o presidente falou por cinco minutos, cada minuto custou de R$ 39,6 mil a R$ 79,2 mil em QAV. Ida e volta, cada minuto da fala presidencial, medida em QAV, custou de R$ 79,2 mil a R$ 158,4 mil. Para quê? Gente, depois a previdência é que é a culpada?

 

E o mico do tamanho de um Trump?

Depois, para pagar este mico de subserviência nos EUA, metodologia análoga, considerando consumo equivalente ao de um Boing 777-200, a distância entre Washington e Brasília de 6.793,59km, pela rota de condução da navegação comercial, a velocidade de cruzeiro de 0,84 Match, e a capacidade de 117.335 litros de QAV, aos preços de agosto de 2018, este mico de se acocorar na capital do Império custou, só em QAV (querosene de aviação), cerca de R$ 387,2 mil. Depois, não vai dizer que a cigana te enganou.

 

Isso lá é lição que se ensine?

O déficit comercial dos EUA chegou aos US$ 621 bilhões, o maior em dez anos.

 

Glifosato, ameaça renovada

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o conceituado MIT, informa: 50% das crianças serão autistas, até 2025. Round-Up, o mais vendido agrotóxico produzido pela Bayer/Monsanto, que contém glifosato, encabeça a lista dos responsáveis por esta trágica previsão.

O uso abusivo de glifosato em nossa alimentação está causando doenças como Alzheimer, autismo, câncer, doenças cardiovasculares e deficiências da nutrição, entre outros. Este é o alerta da bióloga (PhD) Stephanie Seneff, autora de mais de 170 artigos acadêmicos revisados por pares e que estuda esta matéria há mais de três décadas. Atualmente, 1 em cada 68 crianças nos EUA nascem com autismo. É a deficiência de desenvolvimento de mais rápido crescimento, com taxas aumentando em quase 120%, desde o ano de 2000.

Informação livre e rotulagem de produtos que contém OGMs são direitos das pessoas para decidirem cada uma o risco do destino. No entanto, quando se procura pelo nome da cientista Stephanie Seneff , quem aparece é Catharina P., gerente de assuntos corporativos da Bayer (que adquiriu a Monsanto).

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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