Maioria inorgânica

Fatos e Comentários / 17:27 - 1 de set de 1999

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Embora viva se queixando da falta de colaboração do Congresso à aprovação das reformas reclamadas pelo mercado, o Governo FH resolveu paralisar as votações da Câmara por 15 dias. Isso acontecerá porque, ontem, o governo retirou da pauta, pela segunda vez, o projeto de lei complementar sobre a Defensoria Pública da União. Como o projeto é o primeiro da fila, nenhum outro pode ser votado antes dele. A retirada foi mais uma demonstração da insegurança dos governistas para enfrentar no voto o recurso da bancada ruralista ao plenário contra a decisão da Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), que, semana passada, considerou inconstitucional o projeto de renegociação de dívidas dos ruralistas. Ficção Cerca de dois terços dos investimentos diretos externos que ingressaram no país no primeiro Governo FH se destinaram à aquisição de empresas nacionais, públicas e privadas. O terço restante, que efetivamente ajudou a ampliar a capacidade produtiva do país, foi atraído pelos generosos subsídios concedidos à indústria automobilística ou concentrou-se em serviços financeiros, onde goza dos escandalosos juros dos títulos públicos. Os dados constam de artigo do professor adjunto da UFRJ Luiz Martins de Melo, em artigo ontem no MM. Reféns O economista Ademar Mineiro disse ontem que a incorporação do ISS ao ICMS, conforme consta na proposta da reforma tributária, irá fazer com que os municípios percam arrecadação direta, ficando a mercê de repasse da União e dos governos estaduais. A responsabilidade fiscal e outros condicionantes, segundo ele, não garantem o repasse automático. O importante, na sua opinião, é deixar claro que não pode haver condicionantes no repasse, principalmente em ano eleitoral. Trincheira O jornalista Barbosa Lima Sobrinho preside amanhã, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), ato público pelo décimo aniversário de fundação do Movimento de Defesa da Economia Nacional (Modecon), que reúne pessoas e entidades empenhadas na luta contra a política econômica neoliberal do governo federal. O ato contará com palestras de Maria Augusta Tibiriça Miranda, ex-coordenadora da campanha O Petróleo é Nosso, sobre os 10 anos de lutas do Modecon; do engenheiro Fernando Siqueira, que falará sobre o Acordo Multilateral de Investimentos (AMI); da professora Zuleide Faria de Melo, sobre Neoliberalismo e Soberania Nacional; e do professor Edson Teixeira de Queiroz, que abordará as privatizações. Fantasma Quem chega a São Paulo leva um susto logo após desembarcar de Congonhas: pichação num muro prega "Vamos collorir São Paulo". Falência Aliás, o segundo susto na capital paulista é quando se vê a quantidade de imóveis - principalmente comerciais - com placas de vende-se ou aluga-se. Pró-empreiteira Não se pode dizer que o governo Mário Covas seja marcado apenas pela abulia. Em pouco menos de cinco anos de mandato, Covas já inaugurou 58 (sic!) pedágios no estado. Não por acaso, se anda com o prestígio em baixa junto aos caminhoneiros, o tucano tem feito a festa das concessionárias. Isonomia Os poucos amigos que ainda restam ao prefeito Celso Pitta querem saber: por que o tucanato que prega o seu impeachmente, considera que a mesma medida, quando pedida para o presidente FH, é golpe? Acima da lei Baseado em documento elaborado por militares da reserva que pedem a renúncia do presidente FH, o economista Marcos Coimbra contabilizou 20 tipos de violações à Constituição cometidas pelo governo FH. Diante da constatação, Coimbra indaga; "Afinal quem são os golpistas?" Trombeta A badalação que alguns setores da imprensa e do empresariado paulista estão fazendo em torno de Mangabeira Unger fez um respeitado economista paulista lembrar a ocasião em que o falecido Ulysses Guimarães foi apresentado a Unger, numa reunião do PMDB. Ulysses, ouvindo o inflamado discurso do professor de Harvard, cruzou os braços e baixou a cabeça, postura que adotava quando algo o irritava. Ao microfone, Mangabeira berrava: "Vão soar as trombetas de Jericó..."

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