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Maduro assume hoje o terceiro mandato

Presidente conta com Forças Armadas e Suprema Corte, mas sofre resistência interna da Assembleia Nacional, nas mãos da oposição.

Internacional / 10 Janeiro 2019 - 15:24

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Sob críticas e suspeitas internacionais, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, toma posse hoje do seu terceiro mandato que irá até 2025. Ele conta com o respaldo das Forças Armadas e da Suprema Corte. Porém, sofre resistência interna da Assembleia Nacional que é comandada pela oposição.

O Brasil, que integra o Grupo de Lima (formado por Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lucia e México), considera sua reeleição ilegítima.

Para o grupo, com exceção do México, o poder deveria ser transmitido para o Parlamento venezuelano que, por sua vez, promoveria novas eleições. O processo eleitoral que levou à reeleição de Maduro contou com quase 70% de abstenção.

A crise na Venezuela se agravou nos últimos anos, provocando uma forte imigração, fome e desemprego na região. Para o público interno, Maduro afirmou que apresentará um conjunto de ações econômicas para frear a hiperinflação que atinge o país.

"Vou apresentar o Plano da Pátria diante da Assembleia Nacional Constituinte para o próximo período de seis anos. Vou fazer uma avaliação e apresentar um conjunto de medidas", afirmou Maduro, acrescentando que sua meta é a estabilidade econômica para o período de 2019-2025.

Esta semana o Peru informou que proibirá a entrada do presidente da Venezuela e integrantes do governo, assim como suas famílias, no território peruano.

Para Clayton Vinícius de Araujo, professor de Direito Internacional da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o processo eleitoral ocorrido no país vizinho é legítimo, uma vez que deve ser respeitada a soberania e autonomia de cada nação e, além disso, Maduro foi eleito em 2018 com quase 70% dos votos.

No entanto, o professor faz um alerta:

"“Perante a comunidade internacional, a legitimidade do governo venezuelano é contestada. Esse cenário pode provocar um rompimento das relações internacionais entre os países que não concordam com a eleição venezuelana”", aponta o especialista.

A Venezuela enfrenta uma crise política e econômica há muitos anos. Desemprego, crise de abastecimento, inflação, falta de saneamento básico, dentre outros fatores que provocam caos urbano. Infelizmente, para o professor Araujo, essa situação ainda deve continuar. “"Entendo que o presidente Maduro já perdeu o controle, mesmo diante de um discurso inflamado e bem diferente”", conclui.

 

Catapora e sarampo - No Brasil, a prefeitura de Boa Vista confirmou pelo menos cinco casos de catapora em venezuelanos que vivem em abrigos para imigrantes na capital. Três casos foram identificados em crianças no abrigo Rondon 3, além de um caso no Rondon 1 e outro no Nova Canaã.

"As crianças estão em isolamento por medida da equipe de gestão do abrigo", informou a prefeitura, por meio de nota. "É importante esclarecer que a catapora é uma doença comum na infância, geralmente é benigna e autolimitada. Portanto não há motivos para alardes."

Ainda de acordo com o comunicado, ações de vacinação e bloqueio estão sendo implementadas desde agosto do ano passado nos abrigos da capital, "procedimento padrão mediante o enfrentamento da crise migratória".

"A vacina tetraviral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora), faz parte do calendário de vacinação nacional, sendo rotina nas unidades básicas de saúde", destacou.

Roraima registra, desde o início do ano passado, um surto de sarampo. Até o início da semana, 355 casos da doença haviam sido confirmados no estado. Segundo o Ministério da Saúde, o surto, também está relacionado à importação, já que o genótipo do vírus que circula no Brasil é o mesmo da Venezuela, país com surto da doença desde 2017.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a AVN

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