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Múltiplos dilemas

Internacional / 12 Junho 2018

Atenas – A Grécia já encontra-se, essencialmente, em pleno período pré-eleitoral. Todos já sabem que muito em breve será registrado um mapa político diferente. O elemento particular diz respeito ao fato de que, em menos de um ano e meio, tudo virá de cabeça abaixo. Em maio de 2019, para a eleição de 22 eurodeputados gregos, serão realizadas pela primeira vez as autoadministrativas e, finalmemente, as eleições que são as mais decisórias pelo fato de seus resultados reverem a maioria de um ou mais partido.

O governo, como sempre, insiste que esgotará os quatro anos. Mas todos sabem que as eleições para deputado serão realizadas a qualquer momento que o primeiro-ministro julgar melhor para seu próprio partido político, o Siriza. Nada exclui a possibilidade de serem realizadas ainda neste ano, ou então coincidirem na mesma data com uma das outras duas disputas eleitorais.

 

Grécia caminha para

triplas eleições até 2019

 

Enquanto a sociedade grega começou a se acostumar em uma hipotética regularidade com a única esperança de não piorar, ainda mais, a atual situação econômica do país, percebe agora que este perigo predomina. E soma-se simultaneamente a isto a agonia de uma provável eclosão de derrocada generalizada por causa dos riscos nacionais e ameaças.

Entretanto, existe uma parcela da população grega que considera que, por intermédio dos processos eleitorais, poderá, provavelmente, levar para melhor a própria posição. É viável esta possibilidade? Porém, antes de responder é preciso verificar qual é o número de pessoas que dizem respeito às futuras eleições triplas.

 

Um milhão de envolvidos

 

Ao que tudo indica, nas três futuras disputas eleitorais deverão participar mais de 135 mil candidatos disputando os 28.255 cargos governamentais, estatais e posições escolhidas. Estes são os números que surgem das correspondentes eleições passadas. É possível imaginar até que ponto poderão chegar estes números com o “estímulo” governamental da simples analogia numérica e da “esticadela” das periferias eleitorais já apresentada em eleições anteriores.

Assim é que, se, por hipótese, estimar-se que cada candidato dos três pleitos eleitorais envolve no mínimo dez pessoas (família, funcionários e outros), então mais de 1 milhão de pessoas já começarão a ocupar-se com as próximas três eleições.

Sem esforço algum surge a conclusão que as eleições acionarão em movimento permanente uma considerável parcela da população, embora uma igualmente considerável parcela de abstenção esteja sendo esperada. “Eleitólogos”, pesquisadores, especialistas variados, eleitocozinheiros e propagandistas tentarão reverter esta tendência com uso de novas “ferramentas” e “manobras” com a legislação eleitoral e vários slogans “emocionantes”.

Será que todos estes “mecanismos” poderão combater o desgosto popular? Provavelmente, em um grau por intermédio de promessas e dilemas mentirosos, talvez poderão “converter” este desgosto ou transferi-lo no tempo. Poderão, ainda, transferir responsabilidades e “culpados” e outros que darão tempo aos novos que assumirão a governança.

 

Petros Panayotídis

Latino-Americana de Notícias.