Lula assume com desafio de mudar a economia

Política / 22:44 - 16 de mar de 2016

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BOTA O RETRATO DO VELHO OUTRA VEZSITE lula “Bota o retrato do velho outra vez / Bota no mesmo lugar”. Os versos da marchinha de Haroldo Lobo e Marino Pinto, que saudava o retorno de Getúlio Vargas à cena política em 1950, viraram slogan da campanha do ex-presidente na sua volta ao poder (Getúlio venceu com quase 50% dos votos). Os tempos e personagens são outros, mas, de certa forma, o velho voltou ao Planalto. Luiz Inácio Lula da Silva foi confirmado como ministro-chefe da Casa Civil. Apesar de Dilma Rousseff ser a presidente, o “velho” volta com plenos poderes e uma tarefa hercúlea: salvar o mandato e conseguir que o governo assuma algum protagonismo. Muitos petistas depositam em Lula a esperança de obter articulação política e uma guinada na política econômica. A primeira parte não será fácil, mesmo para o ex-presidente, que já mostrou em várias ocasiões sua habilidade. Acossado pela Lava Jato – a divulgação de telefonema entre ele e Dilma pela Polícia Federal é uma amostra – e torpedeado pela mídia, Lula terá que se valer da caneta e da perspectiva de que o governo vai durar até 2018. A tarefa só terá sucesso se houver uma mudança na economia. Analistas se dividem sobre esta possibilidade, lembrando que o ex-presidente não mexeu na política ortodoxa quando assumiu em 2003, amparado pela força das urnas, e não seria agora que tentaria algo diferente. Outros, porém, anotam que, pressionado pela crise em 2008, Lula adotou rumos que permitiram reduzir os efeitos da marola mundial. A nomeação provocou as críticas de praxe da oposição. Surpreendente foi a reação dos mercados financeiros. Para um setor que compra no boato para vender no fato, os sinais pareciam invertidos. A Bolsa de Valores, que operou boa parte do dia em baixa, fechou em alta de 1,34%. O dólar fez trajetória inversa: ameçou subir, mas terminou em queda de 0,63%, sendo vendido a R$ 3,739. As ações da Petrobras, as mais negociadas, tiveram forte alta. Os papéis ordinários encerraram com valorização de 7,74%, a R$ 9,60. As ações preferenciais subiram 9,38%, para R$ 7,23. Além do cenário interno, o mercado financeiro foi influenciado pelo fim da reunião do Federal Reserve (Fed) norte-americano, que manteve os juros básicos dos Estados Unidos.

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