Lula: 2 vezes eleito, 1 vez condenado

Política / 12 Julho 2017

Moro quer ex-presidente inelegível por 19 anos

Eleito presidente da República em 2002, reeleito quatro anos depois e responsável pela eleição de sua sucessora pelo que seriam os oito anos seguintes (abreviados pelo impeachment em 2016), Luís Inácio Lula da Silva foi condenado pelo juiz federal de 1ª instância Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão.
“Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade”, escreveu Moro. A decisão também prevê inelegibilidade de Lula por 19 anos e confisco do apartamento triplex no Guarujá que seria fruto de propina.
O ex-presidente deve recorrer ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e só iria preso e se tornaria inelegível se a sentença for mantida. Não há prazo para que o julgamento ocorra.
Em discurso na tribuna do Senado, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse que a condenação é “política”, “sem provas” e tem como objetivo inviabilizar a candidatura do líder petista à presidência da República em 2018. A decisão de Moro foi divulgada um dia após a aprovação da reforma trabalhista e no mesmo dia em que Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Michel Temer, foi autorizado a deixar a prisão e ficar recluso em casa.
O líder do DEM, Efraim Filho (PB), defendeu que a sentença foi “baseada na lei, nos fatos e nas provas”. Já o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), disse que “mais uma vez o juiz Sérgio Moro apresenta um julgamento no momento em que está sendo avaliado o afastamento do presidente Michel Temer. Então, é evidente a ação política do juiz neste momento importante da política nacional”.