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Lucros em alta, empregos em queda

Mercado Financeiro / 09 Fevereiro 2018

Bancos fecham 18 mil vagas; salário de novos funcionários é 44% inferior

Os maiores bancos do país divulgaram lucros recordes, mas que não foram acompanhados por indicadores sociais saudáveis. A arrecadação de impostos com instituições financeiras, surpreenden-temente, caiu 10%. O número de postos de trabalho foi igualmente declinante. Foram cortadas 17.905 vagas no ano passado, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, que fez os cálculos em cima dos dados do Caged.
O setor que mais perdeu empregos formais em 2017 foi o da construção civil (103.969 postos), seguido pela indústria de transformação (19.900). O setor financeiro vem em terceiro lugar em fe-chamento de vagas.
Persistiu a tendência de os novos contratados ganharem menos do que os demitidos. Durante o ano, os dispensados ganhavam em média R$ 7.456. Já a média salarial dos contratados foi de R$ 4.139, o que representa apenas 56% da remuneração dos desligados.
As demissões contrastam com os lucros e com o retorno dado aos acionistas. O Itaú, por exemplo, divulgou que no ano passado destinou R$ 20,2 bilhões em remuneração aos “mais de 96 mil cola-boradores”. Para os mais de 120 mil acionistas, foram distribuídos R$ 19,2 bilhões.
A afirmação, porém, não reflete a concentração de capital do banco. A Investimentos Itaú S/A (Itaúsa) e a Itaú Unibanco Participações S/A (Iupar) detêm juntos quase metade (45,89%, segundo a última posição) das ações do banco. Assim, somente estes dois acionistas receberão R$ 8,81 bilhões, quase tanto quanto os demais 120 mil, que detêm 49,25% das ações (3,56% estão em mãos da gestora norte-americana BlackRock, e 1,31%, em tesouraria).