Liberação do FGTS e PIS/Pasep impulsiona consumo até o fim do ano

Segundo a CNC, comércio e serviços deverão ser positivamente impactados, mas 40% dos recursos serão destinados ao pagamento de dívidas

Conjuntura / 14:46 - 11 de set de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A liberação de recursos das contas do PIS/Pasep e do FGTS deve estimular o consumo e elevar o nível de atividade da economia nos últimos quatro meses do ano. Se confirmada a estimativa do Ministério da Economia de saques de cerca de R$ 30 bilhões entre agosto e dezembro de 2019, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que R$ 13,1 bilhões serão gastos no comércio (R$ 9,6 bilhões) e nos serviços (R$ 3,5 bilhões), além de R$ 12,2 bilhões (40% do total) que serão utilizados pelos consumidores para a quitação ou abatimento de dívidas e R$ 4,7 bilhões (16% do total) que deverão ser poupados ou consumidos somente em 2020.

Para o economista da CNC Fabio Bentes, apesar da quitação ou abatimento de dívidas representar uma parcela significativa dos recursos disponibilizados, o percentual deve ser menor que na liberação do FGTS em 2017 (46% do total), mas o impacto sobre o varejo tende a ser maior em 2019, 32% do total contra 25% em 2017.

"O consumo no comércio e no setor de serviços poderia representar uma parcela maior dos gastos dos consumidores, não fosse o ainda elevado grau de comprometimento da renda das famílias com os juros decorrentes do endividamento. Contudo, mesmo indiretamente, esses setores tendem a se beneficiar da queda do grau de endividamento no médio prazo", acredita Bentes.

Mesmo diante do comprometimento da renda, a liberação de recursos tem potencial para acelerar o consumo. A previsão da CNC é que o consumo das famílias avance 0,9% no último trimestre de 2019, em comparação ao terceiro trimestre, o que significa um impulso adicional de 0,3% com a liberação de recursos, diante da expectativa anterior de 0,6%.

O varejo deve ficar com cerca de 32% da destinação total de recursos, montante que pode alavancar em 1,3% o setor entre setembro e dezembro de 2019, na comparação com igual período de 2018. Os segmentos do varejo mais beneficiados pelos programas de saques tendem a ser o de vestuário e calçados (R$ 3,3 bilhões), os hiper e supermercados (R$ 2,5 bi), as lojas especializadas nas vendas de móveis e eletrodomésticos (R$ 1,7 bi) e o comércio de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (R$ 0,9 bi).

No setor de serviços devem ser injetados cerca de 12% dos recursos (ou R$ 3,5 bilhões do total), gastos que podem elevar em até 1,1% o volume de receitas dessas atividades nos quatro últimos meses do ano.

 

Terceiro resultado positivo - O volume de vendas do comércio varejista cresceu 1% na passagem de junho para julho deste ano, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgados hoje (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o terceiro resultado positivo do indicador, que acumula alta de 1,6% no período.

O volume de vendas também cresceu 0,5% na média móvel trimestral, 4,3% na comparação com julho do ano passado, 1,2% no acumulado do ano e 1,6% no acumulado de 12 meses. Na passagem de junho para julho, sete das oito atividades pesquisadas tiveram alta nas vendas, com destaque para supermercados, alimentos, bebidas e fumo (1,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,2%) e móveis e eletrodomésticos (1,6%).

Também apresentaram crescimento tecidos, vestuário e calçados (1,3%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,7%), combustíveis e lubrificantes (0,5%) e livros, jornais, revistas e papelaria (1,8%).

Apenas a atividade de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação teve queda em julho (-1,6%).

A receita nominal do varejo cresceu 1% na comparação com junho, 6,7% na comparação com julho do ano passado, 4,9% no acumulado do ano e 5,4% no acumulado de 12 meses. Já a receita do varejo ampliado cresceu 0,3% na comparação com junho, 9,5% na comparação com julho de 2018, 6,8% no acumulado do ano e 7,2% no acumulado de 12 meses.

 

Com informações da Agência Brasil

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor