Laboratórios colocaram lenha na epidemia de opiáceos

No momento em que a dependência de analgésicos crescia, farmacêuticas despejaram produtos no mercado.

Fatos e Comentários / 19:25 - 17 de jul de 2019

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Fabricantes de medicamentos e distribuidores inundaram os EUA com mais de 75 bilhões de pílulas de opiáceos nos anos em que a epidemia de dependência de analgésicos aumentou para níveis recordes, segundo dados que eram mantidos sob segredo e foram divulgados por um tribunal norte-americano. A revelação foi feita pelo jornal britânico The Guardian.

Os grandes laboratórios pagaram centenas de milhões de dólares em acordos extrajudiciais, em parte para manter oculta a evidência de que eles aumentaram o fornecimento de opiáceos ao mesmo tempo em que as autoridades declararam uma epidemia.

Em 2012, as prescrições de opioides atingiram o pico de 282 milhões por ano, o suficiente para fornecer a cada adulto norte-americano um mês de pílulas. Um negócio mortal e lucrativo: as vendas anuais passaram de US$ 8 bilhões.

 

Saúde neoliberal

Desde o impeachment de Dilma Rousseff, os responsáveis pela aprovação e acompanhamento das parcerias de desenvolvimento produtivo na área da saúde vêm alterando as compras de medicamentos, desviando do estabelecido nos contratos em vigor.

O Ministério da Saúde fez várias licitações internacionais para a compra desses medicamentos, ignorando as parcerias em curso, o que pode ter provocado atrasos e outros problemas”, afirma a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que criticou a suspensão dos contratos para fabricação de medicamentos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) foi iniciada em 2008 e teve como objetivo provocar uma sinergia entre as necessidades do SUS e o acesso universal a remédios, com fornecimento por produtores públicos.

As parcerias de desenvolvimento produtivo funcionam assim: transfere-se tecnologia de medicamentos selecionados pelo Ministério da Saúde por produtores privados para instituições públicas, garantida a compra dos produtos pelo Ministério por um período determinado.

Segundo a Abrasco, desde o início “interesses contrários à produção e ao desenvolvimento tecnológico no país vêm procurando limitar, ou mesmo destruir, essa política que alia a produção local à garantia do acesso universal”.

O Estado brasileiro, lembra a Associação, viabilizou investimentos para levar a cabo a parceria. Permanecendo a suspensão determinada pelo Ministério da Saúde, “sem uma análise aprofundada e transparente, será gerado um prejuízo financeiro e, em especial, ao acesso universal à saúde em uma conjuntura de carência quase absoluta de investimentos industriais no país”.

Nos dez anos de existência da política, houve enorme economia para o SUS, quando se compara os preços anteriores às PDP. Se o Ministério tiver que realizar compras no mercado internacional, pagará preços muito maiores, elevando o prejuízo aos cofres públicos e à população que necessita dos medicamentos.

 

Balança da dependência

Números levantados pela FGV demonstram a queda nos preços das commodities. No primeiro semestre, o volume de produtos exportados pelo Brasil cresceu 2% quando comparado aos primeiros seis meses do ano passado. A alta foi liderada justamente pelos produtos agrícolas e minerais.

Mas com os valores das commodities em baixa, as exportações brasileiras no semestre caíram 3,5%. Com isso, o saldo comercial (vendas menos importações) encolheu para US$ 26 bilhões, US$ 4 bilhões menor do que o de 2018.

Depender de produtos básicos cujos preços são determinados por bolsas de valores e mercadorias no exterior dá nisso.

 

Direcionado

Diz a Piauí que quando Doria e Goldman romperam, Bia Doria (a ricaça que gosta da Lei Rouanet) se arrependeu de direcionar o sorteio de um Kia para o casal Goldman em evento do LIDE. Que não sejam desse naipe as direções dadas a SP pelo governador e primeira-dama.

 

Rápidas

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizará em 12 de agosto o “2º Diálogo de Saúde Suplementar: o Desafio da Coordenação do Cuidado nos Planos Coletivos Empresariais”, em parceria com o Sesi *** O grupo Os Três Nordestinos se apresenta no Caxias Shopping nesta sexta-feira, a partir das 19h30 *** Marcelo Kitsuda, CEO da Marchon Brasil, assumiu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica).

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