Juros reais voltam ao patamar de 2013

Queda nas taxas nominais se deve ao excesso de liquidez nos mercados internacionais, onde os juros estão negativos.

Fatos e Comentários / 20:02 - 8 de nov de 2019

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Com a inflação pelo IPCA na casa de 2,5% nos últimos 12 meses, os juros básicos reais, com última queda da taxa Selic, devem ficar na faixa de 2% a 2,5% ao ano. Motivo para o governo soltar rojões, mas um pouco de história mostra que não há nada de inédito. No início de 2013, a taxa básica de juros real ficou abaixo de 2%.

A taxa de juros real veio em trajetória de queda desde 2003, com pequenos picos em meados de 2005 e no final de 2008. No período posterior a 2011, a taxa de juro real esperada para os próximos 12 meses ficou no patamar de 5% ao ano.

Em 2013, a trajetória de queda é interrompida. Naquele ano, como mostrou a coluna (“Ascensão dos bancos públicos e queda do PT”), a participação dos bancos públicos e privados no estoque total de crédito se igualou, após uma persistente elevação das instituições estatais iniciada em 2008.

A partir de meados de 2013, os bancos estatais suplantaram os particulares e passaram a deter mais da metade do estoque de crédito. Chegaram ao auge, pouco acima de 55%, no início de 2016. Mas a queda dos juros básicos já havia sido interrompida, com as jornadas de junho de 2013, a tibieza do Governo Dilma e a crise política. Vieram as políticas ultraneoliberais, e a crise econômica se somou à política.

Como ensinou Ranulfo Vidigal, integrante do Conselho Editorial do Monitor Mercantil, é mais adequado creditar o atual momento de taxas nominais cadentes ao excesso de liquidez internacional e ao momento deflacionista/recessivo predominante em importantes economias de primeira linha ao redor do planeta. “Na linguagem do mainstream econômico, seriam tempos de excesso de poupança”.

 

Ameaça chilena

O Plano Mais Brasil deveria se chamar Plano Mais Chile”, detona o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) ao comentar o pacote de medidas econômicas enviado pelo Governo Bolsonaro ao Congresso, “algumas contendo pontos absurdos e até inconstitucionais”.

Para o deputado fluminense, a prioridade deveria ser a Reforma Tributária, “que diminuirá a carga de impostos para os trabalhadores e a classe média”. Bem, nestes governo e Congresso, melhor ter poucas esperanças nesse sentido.

Molon admite que o governo não tem interesse em cobrar mais impostos dos super-ricos. “Por isso, propõe o congelamento do salário mínimo, a diminuição de recursos para Saúde e Educação e desmantelamento da rede de proteção social”, ataca.

 

De um bolso para outro

As alíquotas de contribuição previdenciária dos servidores públicos contratados através de concurso até 2012, antes e depois da aposentadoria, passarão a ser progressivas, variando de 7,5% a 22%, em vez dos atuais 11% para todas as faixas salariais. Já no regime geral as alíquotas vão variar de 7,5% a 14%, no lugar dos atuais 8% a 11%.

As alíquotas progressivas são boa notícia, mas são menos progressivas do que parecem. Isso porque as alíquotas mais altas pagas à Previdência implicam descontos mais altos no Imposto de Renda, que é calculado sobre a renda bruta menos as contribuições previdenciárias”, explica professor da FGV e da UnB Marcelo Medeiros, especialista em desigualdade e pesquisador do Ipea. “Acaba que o Imposto de Renda passa a financiar uma parte da Previdência.”

 

Aos poucos

A vacância de imóveis no Porto Maravilha cai para 41%, segundo a consultoria imobiliária Colliers Internacional, que divulgou balanço sobre a evolução da ocupação dos imóveis na região. Os dados apontam queda no número de imóveis desocupados no segmento Classe A e A+ no terceiro trimestre.

 

Desdém

Candidato a poodle de Trump, Bolsonaro bajula os EUA, que rejeitam apoio ao Brasil, não compram carne, nem comparecem para o leilão do pré-sal. A China, que se juntou à Petrobras, é desdenhada. Os investimentos chineses aqui caíram de US$ 8,8 bi para US$ 3 bi.

 

Rápidas

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF), realizará, dias 12 e 13, o 1º Encontro de Bioeconomia e Sociobiodiversidade na Amazônia. Programação aqui *** Nesta segunda tem baile em comemoração ao aniversário de 11 anos de atividade do Caxias Shopping, a partir das 17h.

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