Joice Hasselmann: retirada da liderança foi ‘ingratidão’

Ex-líder do governo diz que livrou Bolsonaro de um impeachment

Política / 23:07 - 17 de out de 2019

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Abriga pelo comando dos recursos do fundo partidário teve mais um dia de racha no PSL. Despacho do presidente da República com a indicação do senador Eduardo Gomes (MDB-TO) para o cargo de líder do governo no Congresso foi publicado na tarde desta quinta-feira em edição extra do Diário Oficial da União. Ele substituirá a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Segundo o líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (GO), a troca não foi retaliação, já que a liderança é um cargo de confiança do presidente. A parlamentar não endossou a lista para substituir o atual líder, Delegado Waldir, pelo deputado Eduardo Bolsonaro.

Mas a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados confirmou a manutenção do deputado Delegado Waldir (GO) como líder do PSL na Casa. Uma lista com 29 assinaturas foi validada e manteve o parlamentar no cargo. A definição da liderança foi assegurada após validação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao afirmar que a decisão sobre o líder do PSL caberia à Secretaria-Geral da Mesa da Casa.

Nesta quarta-feira (16), o deputado Eduardo Bolsonaro (SP) apresentou duas listas para assumir a liderança do partido: a primeira às 21h50 e a segunda às 22h27. Ambas continham 27 assinaturas, das quais 26 foram confirmadas na primeira lista, e 24, na segunda. Já a lista de assinaturas apresentada pelo Delegado Waldir foi apresentada às 22h18, com 31 assinaturas – das quais 29

foram confirmadas.

Pelo Regimento Interno da Câmara dos Deputados, para ocupar o cargo de líder é preciso receber o apoio formal de metade dos parlamentares da bancada mais um. Cada partido tem autonomia para fazer a troca de líder quantas vezes quiser. Geralmente, há um rodízio no cargo, e os parlamentares costumam ser mantidos por, pelo menos, um ano. Os líderes podem ser definidos por eleição interna da bancada ou por aclamação. Somente os partidos com pelo menos cinco integrantes têm direito à liderança. Segundo o deputado Delegado Waldir, haverá uma nova eleição para liderança do PSL em fevereiro.

 

Ingratidão’

 

Em suas redes sociais, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) comentou a retirada da liderança do governo feita por Jair Bolsonaro. Pelo Twitter, a deputada que foi cabo eleitoral de Jair Bolsonaro nas redes disse que não se importa com “ingratidão”, autoelogiou-se por seu papel na articulação pela reforma da Previdência e na atuação para a “contenção de crises” que, segundo ela, evitou o impeachment de Bolsonaro.

Deixo a liderança no Congresso com dever cumprido. Articulei Reforma da Previdência em todo país, aprovei o PLN q deu ao PR @jairbolsonaro R$248 BI e o salvou de um impeachment, contive inúmeras crises. Ñ me importo com a ingratidão. Meu couro é duro. Sigo pelo apoiando O BRASIL!”, esscreveu.

E acrescenta: “Não nasci líder, não preciso disso. Trabalhei 20h por dia para salvar o governo de crises, aprovar pautas importantes para o país, apagar incêndios durante todos esses meses. Agora ganho minha alforria e mais tempo para cuidar do meu mandato e da minha candidatura à prefeitura”, destaca ela, que de olho nas eleições de 2020 se aproximou do tucano João Doria, governador de São Paulo (PSDB) e irritou o clã Bolsonaro.

"E como eu disse muitas vezes: “EU JAMAIS SERIA A PRIMEIRA A TRAIR”. Então, nunca trairia, mas sabia que poderia esperar a traição. Nada me abala. Todas as vezes que tentaram puxar meu tapete eu caí para cima! Então esperem...”, ameaça Joice.

Em curto intervalo de tempo, a deputada federal atacou colegas de partido e aprofundou a crise na legenda. a deputada criticou o assessor especial da presidência da República, Filipe Martins, e o deputado estadual de São Paulo, Douglas Garcia (PSL-SP).

 

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