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Ipsos: maioria dos brasileiros acha que Lula é culpado, mas está dividida sobre prisão

Política / 16 Abril 2018

Preso em Curitiba desde o dia 7, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado culpado pela maioria dos brasileiros (57%) e inocente para 32%, segundo pesquisa realizada pela Ipsos de 7 a 10 de abril com 1.200 pessoas nas cinco regiões do país. Sete em cada 10 entrevistados (69%) acham que ele tem alguma participação em esquemas de corrupção investigados pela Lava Jato e praticamente todos (99%) ouviram falar de sua ida para a cadeia, notícia amplamente divulgada.

Mas as opiniões estão divididas com relação à ida do petista para cadeia com 50% dos entrevistados a favor e 46% contra - empate técnico dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais. A falta de consenso permanece quando a questão é se a prisão foi justa - resposta de 50% - ou injusta - escolha de 44%. A proporção dos que concordam e dos que discordam da afirmação "A Lava Jato até agora nada provou contra o ex-presidente Lula" é idêntica 47%.

- Lula continua dividindo opiniões e a polarização do país em torno da sua figura continua alta, tornando a corrida eleitoral ainda mais incerta - afirma Danilo Cersosimo, diretor de Public Affairs na Ipsos.

Mais da metade dos entrevistados (55%) acredita que a Lava Jato faz perseguição política contra Lula, mas a maioria (58%) discorda que ele tenha sido condenado por ter uma origem humilde. Três em cada quatro brasileiros (73%) acreditam que "os poderosos querem tirar Lula das eleições à Presidência". A taxa de discordância da afirmação de que o ex-presidente é mais corrupto que os demais políticos é de 51%. Todos os políticos são corruptos para 56% da população.

A pesquisa da Ipsos também investigou o que os brasileiros pensam sobre a Lava Jato. A maioria (60%) concorda que ela "está mostrando que todos os partidos são corruptos", mas esse dado permaneceu em patamares próximos a 80% entre janeiro de 2016 e julho de 2017. Por outro lado, prevalece a concordância com a afirmação de que a operação "está mostrando que o PT é mais corrupto que os outros partidos" (53%), no entanto, esse número, que oscila ao longo dos meses já esteve na casa dos 70% em janeiro, novembro e dezembro de 2016. O índice de discordância (47%) com a afirmação de que "A Lava Jato está investigando todos os partidos" superou o de concordância (43%), embora dentro da margem de erro. É a primeira vez que isso ocorre, desde abril de 2016, quando a questão passou a integrar o questionário.

Mesmo com Lula preso, a Lava Jato deve continuar para 95% dos entrevistados. No entanto, para 2/3 dos entrevistados (66%), agora que o petista foi condenado, os políticos vão tentar encerrá-la. Para 9 em cada 10 brasileiros (92%), a operação deve continuar até o fim, porque há outros nomes que precisam ser investigados. No mês passado, esse dado era de 86%. Todos os políticos deveriam ser investigados para 91% dos entrevistados, mas a maioria (52%) discorda que isso esteja sendo feito.

O apoio à Lava Jato se mantém mesmo que isso traga mais instabilidade política (89%), econômica (85%) ou mais desemprego (74%). A operação deve continuar "custe o que custar" para 93% da população.

- Os resultados mostram que a prisão de Lula não encerra a missão da Lava Jato. Há uma unanimidade de que a Lava Jato precisa continuar e que ainda há muitas pessoas para investigar - comenta Cersosimo.

A Lava Jato vai fortalecer a democracia para 73% dos entrevistados, transformar o Brasil em um país sério para 63% e acabar com a classe política para 51%. Mas, a expectativa de que a operação traga alguma consequência não é tão certa. O índice dos que concordam que operação vai acabar "em pizza" é de 46%, enquanto 42% discordam.

 

Ex-presidente ainda é favorito, apesar de cadeia - Lula continua liderando as eleições presidenciais antes da votação de outubro, segundo nova pesquisa divulgada ontem.

Segundo a pesquisa do Instituto Datafolha, 31% dos brasileiros votariam nele, se ele fosse legalmente capaz de concorrer, mais que o dobro dos 15% que preferem o candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro, e os 10% que escolhem a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

O presidente Michel Temer, que supostamente está ponderando uma corrida para a reeleição, ganharia apenas 1%.

No entanto, no cenário provável de que Lula não será candidato, Bolsonaro, um soldado aposentado que falou com carinho da ditadura militar do Brasil, verá sua participação subir para 17%, segundo a pesquisa.

Marina Silva permaneceria em segundo lugar com 15%, com Ciro Gomes, outra escolha popular de esquerda, subindo para 9%.

A pesquisa foi realizada entre 11 e 13 de abril, depois que Lula se entregou à polícia, entrevistando 4.194 pessoas, em 227 municípios brasileiros.

 

Com informações da Agência Xinhua