Ipea mostra crescimento na participação no mercado de trabalho

Expectativa é taxa participação feminina crescer mais que masculina até 2030; envelhecimento contribui para diminuir parte no mercado.

Conjuntura / 14:35 - 22 de mai de 2019

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As transformações tecnológicas e as mudanças previstas para o sistema previdenciário brasileiro devem alterar os padrões de participação no mercado de trabalho tanto dos homens quanto das mulheres, aponta o estudo Decomposição e projeção da taxa de participação do Brasil utilizando o modelo idade-período-coorte, 1992 a 2030, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com base nas projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pesquisa estima que 73,3% da população brasileira estará no mercado de trabalho em 2030, ou seja, 1 ponto percentual a mais que o observado em 1992.

Segundo o estudo, a população economicamente ativa - entre 17 e 70 anos - vem apresentando aumento constante desde a década de 90 em função do próprio crescimento populacional brasileiro. Os resultados indicam que o envelhecimento da população contribui para diminuir as taxas de participação da sociedade no mercado de trabalho. No entanto, o provável aumento da idade mínima de aposentadoria deve ampliar a presença de pessoas mais velhas no mercado, elevando a taxa geral de participação.

A projeção da taxa dos homens mostra tendência ao declínio - em 2030 ela deve alcançar 82,7%, ou seja, 6,9 pontos percentuais abaixo do observado em 1992. Mas a expectativa é de elevação no caso das mulheres - a presença feminina no mercado de trabalho deve chegar a 64,3% em 2030, ou seja, 8,2 pontos percentuais acima da taxa em 1992.

A pesquisa indica que a participação feminina ainda é menor que a masculina por conta de fatores como a discriminação no mercado de trabalho e normas culturais, que estabelecem um papel para a mulher como a principal responsável pelos filhos e pelos trabalhos domésticos. Mesmo diante deste cenário, a taxa de participação feminina apresentou crescimento contínuo para as gerações nascidas a partir de meados dos anos 40, enquanto a taxa de participação masculina mostrou tendência de queda ao longo dos anos.

As flutuações da economia influenciam a taxa geral de participação da população no mercado de trabalho. Os homens, porém, são menos afetados por fatores como aumento ou redução no nível de empregos e salários por conta da expansão ou retração da economia no país.

 

Desigualdade de renda entre trabalhadores é recorde

A desigualdade de renda entre os trabalhadores do Brasil atingiu no primeiro trimestre de 2019 o maior nível em sete anos, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base em dados oficiais do IBGE.

O aumento da desigualdade de renda entre os trabalhadores se manteve pelo 17º trimestre consecutivo, confirmando a tendência mostrada pelo Banco Central de que o PIB cairá 0,68% no período.

O índice de Gini, que mede o grau de desigualdade em uma escala de 0 a 1, sendo zero a menor desigualdade, aumentou de 0,625 no quarto trimestre de 2018 para 0,627, afirmou a FGV.

"A desigualdade crescente está marcada pela falta de emprego e pelo recorde de falta de expectativas para encontrar emprego", explicou o coordenador do trabalho, o pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre, da FGV).

Este é o maior nível de desigualdade registrado pelo estudo, realizado desde 2012.

Antes da crise iniciada em 2015 com a recessão econômica, os mais ricos tiveram um aumento de 5% da renda acumulada e os mais pobres, de 10%.

Depois da crise, o aumento da renda dos ricos foi de 3,3% enquanto os pobres sofreram uma queda de 20% no que ganham.

 

Com informações da Agência Xinhua

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