Ipea: força de trabalho no Brasil está se tornando mais idosa e instruída

Conjuntura / 19 Abril 2017
A seção da Carta de Conjuntura nº 34, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada hoje aponta sinais de recuperação do mercado de trabalho. Embora esses indícios ainda se mostrem difusos, o comportamento dos salários iniciou uma trajetória de aceleração, com alta de 1,4% na taxa de crescimento interanual dos rendimentos reais no trimestre encerrado em fevereiro, depois de apresentar uma queda de 4% no segundo trimestre de 2016. Pelo lado dos rendimentos, a expectativa é de continuidade deste movimento recente de recuperação salarial, possibilitado, em parte, pelo recuo da inflação. Mesmo que de forma moderada, a conjunção da expansão dos rendimentos reais, atrelada à melhora de comportamento da população ocupada, deve impactar positivamente o comportamento da massa salarial, gerando incentivos à retomada do consumo das famílias, conclui a análise. Se, por um lado, a taxa de desemprego atingiu 13,2%, na média, entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017, por outro já há uma desaceleração no ritmo de contração da população ocupada, graças à expansão da população economicamente ativa (PEA), que apresentou alta de 1,4% em 2016. Essa alta se explica, em boa parte, pelo aumento de 2,7% dos declarados "não chefes de família" na PEA, o que aponta o ingresso de um ou mais membros do domicílio na força de trabalho, a fim de recompor a renda perdida com o agravamento da recessão. A avaliação por escolaridade, por exemplo, revela que o impacto da desaceleração econômica sobre o nível de emprego foi mais forte nas duas faixas que abarcam os trabalhadores com menor grau de instrução: Ensino Fundamental incompleto (queda de 5,6%) e Fundamental completo (redução de 8,3%). Em sentido contrário, o contingente de trabalhadores com Ensino Superior voltou a registrar variação positiva em 2016 (2,5%), indicando que, mesmo durante o período mais grave da crise, a economia brasileira conseguiu gerar postos de trabalho destinados a pessoas com maior qualificação. O mesmo ocorreu com o contingente de trabalhadores com mais de 59 anos, que cresceu 1,1%, sendo o único segmento por faixa etária a apresentar variação positiva no ano passado. Os trabalhadores com idade entre 25 e 49 anos, que correspondem a 62% de toda a população ocupada, tiveram, por sua vez, uma redução de 1,4% em 2016. A força de trabalho brasileira vem, portanto, sofrendo alteração em seu perfil: está se tornando mais idosa e instruída, devido à acelerada transição demográfica brasileira e a uma série de políticas de aumento do acesso à educação iniciadas na década de 1990. Segundo os pesquisadores do Ipea, as perspectivas para o mercado de trabalho são favoráveis, mesmo que nos próximos meses a taxa de desemprego se mantenha em patamar elevado. "À medida que a retomada da economia se consolide, a taxa de desemprego deve começar a cair lentamente no segundo semestre", diz texto assinado pelos pesquisadores Maria Andréia Parente Lameiras e Sandro Sacchet de Carvalho. A análise setorial revela que a indústria de transformação reduziu seu ritmo de fechamento de vagas, indicando uma melhora de perspectiva compatível com o desempenho mais recente da atividade industrial. O setor de serviços também demonstra sinais de avanço. Já a construção civil ainda sofre um forte impacto da crise: a população ocupada nesse segmento retroage a taxas próximas de 10% desde o último trimestre de 2016. Emprego doméstico volta a crescer na Região Metropolitana de São Paulo Após três anos com redução, a parcela de trabalhadoras domésticas no total de mulheres ocupadas voltou a crescer em São Paulo. Em 2016, a criação de ocupações nos serviços domésticos aumentou 3,4%, o que alterou a parcela de trabalhadoras nesse segmento, que cresceu de 13,1%, em 2015, para 14,1%, em 2016. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na Região Metropolitana de São Paulo, feita anualmente pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em 2015 as mensalistas com carteira assinada representavam a maior proporção dessas trabalhadoras (42,8%), mas em 2016 a posição passou a ser ocupada pelas diaristas (43%). Já a parcela de mensalistas sem carteira ficou relativamente estável, ao passar de 17,7%, em 2015, para 17,6%, em 2016. O levantamento mostra também que aumentou o percentual de diaristas com carteira de trabalho assinada e diminuiu o de mensalistas. Em 2015, as mensalistas com carteira assinada representavam a maior proporção dessas trabalhadoras (42,8%). Mas, em 2016, a situação se inverteu, e as diaristas passaram a ser maioria (43%). Já a parcela de mensalistas sem carteira assinada em 2016 ficou relativamente estável com 17,6%. No ano de 2015 a proporção foi 17,7%. Outro dado da pesquisa revela que, após 11 anos com expansão, diminuiu o rendimento médio real por hora das mensalistas com carteira e das diaristas. De 2015 para 2016, houve redução de 8,3% para as mensalistas com carteira assinada, que passaram a receber, em média, R$ 7,43 por hora e de 4% entre as diaristas, cuja remuneração média passou a ser de R$ 10,26 por hora. Segundo o levantamento, 86,2% das mensalistas sem carteira assinada não contribuíram para a Previdência Social no ano passado. Entre as diaristas, 76,7% delas não contribuíam para a Previdência, em 2016. As mulheres correspondiam a pouco menos da metade (46,1%) do total de ocupados na Região Metropolitana de São Paulo em 2016, mas representavam quase a totalidade dos trabalhadores domésticos (96,9%), realizando, principalmente, atividades de serviços gerais, contratadas com ou sem carteira de trabalho assinada, ou trabalhando como diaristas. Ocupações cuidadora de idosos, que demandam alguma especialização e maior remuneração, ainda constituem uma pequena parcela do segmento. Com informações da Agência Brasil