IPCA-15 atinge 2,08% em novembro

Opinião do Analista / 12:58 - 26 de nov de 2002

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O IBGE divulgou a variação do IPCA-15 de novembro, índice que mede a inflação para as famílias com renda de um a 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país, entre os dias 15 de outubro a 15 de novembro. A alta verificada de 2,08%, influenciada pela elevação nos preços dos alimentos e dos combustíveis, fez este índice acumular variação de 8,67% de janeiro até agora. Como em dezembro a inflação ainda terá patamar elevado (ao redor de 1,5%), o IPCA-15 deverá fechar o ano com alta ao redor de 10%. Caminho idêntico deverá seguir o IPCA, índice que o BC utiliza para balizar a política monetária no âmbito do sistema de metas para a inflação, uma vez que este indicador é irmão gêmeo do IPCA-15: os dois seguem a mesma metodologia e apenas o período de coleta que é diferente. Aliás, no boletim Focus divulgado anteontem pelo BC, que reúne projeções de vários economistas de bancos, consultorias e corretoras, a expectativa é do IPCA fechar em 10% em 2002 e de bater 9,96% em 2003. Sobre este último número é interessante notar que as expectativas para 2003 ainda estão em elevação porém o ritmo de piora está arrefecendo (a tal da segunda derivada que mencionou o presidente do BC no início da semana passada). De fato, se tomarmos os três últimos relatórios Focus, vemos que as estimativas para o IPCA em 2003 passaram de 9,00% (8/11) para 9,81% (14/11) e desta para 9,96% (22/11). Ou seja, entre os dias 8/11 e 14/11, houve uma deterioração de 0,81 pontos percentuais quanto à inflação do próximo ano; já entre os dias 14/11 e 22/11, esta deterioração foi de apenas 0,15 pontos percentuais. Isto sinaliza que a elevação dos juros de 21% para 22% ao ano decretada na semana passada começa a surtir efeito, não em termos da inflação corrente, mas sobre a inflação futura, estancando o seu processo de deterioração. Contudo, a estabilização deste número está se dando em um patamar muito elevado (em torno de 10%) que é bem distante do teto máximo permitido para a inflação do ano que vem (6,5%). Das duas uma: ou se continua apertando a política monetária para reverter esta trajetória ou se relaxa a meta para 2003, alargando o horizonte de tempo para a acomodação do choque de oferta. Este é um problema para a futura administração do BC decidir e resolver. Luiz Rabi Economista-chefe do BicBanco.

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