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Investimentos estrangeiros têm o menor nível dos últimos 4 anos

Ativos no Brasil atraíram menos capital externo em 2018 ao recuarem 18,8%.

Mercado Financeiro / 11 Fevereiro 2019 - 23:07

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No ano passado, diminuiu o número de empresas brasileiras adquiridas por estrangeiros. Foram 288 operações, contra 355 em 2017, uma retração de 18,8%, o menor nível dos últimos quatro anos, mostrou um relatório da Transactional Track Record (TTR). Como já acontece há quase 10 anos, os norte-americanos foram os maiores compradores de ativos nacionais. Os setores de tecnologia e internet puxaram os investimentos. O segmento Tecnologia foi o principal alvo dos investidores, contabilizando 16 transações no período, um salto de 23% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil caiu 12% em 2018, de US$ 68 bilhões para US$ 59 bilhões em 2018. Lembrando que o fluxo global também teve redução. O IED mede o capital investido por estrangeiros em um país. Ele é considerado por economistas como o “bom investimento”, já que os recursos vão para o capital produtivo (construção de fábricas, infraestrutura, empréstimos e fusões e aquisições).

O primeiro mês de 2019 terminou com 63 anúncios de compra e venda de participação envolvendo empresas brasileiras, uma queda de 22,2% em comparação ao reportado no mesmo período de 2018. Os resultados marcam o pior início de ano desde 2015, quando o mercado de M&A brasileiro movimentou aproximadamente R$ 4,3 bilhões.

Nesse início de ano, as empresas norte-americanas realizaram seis aquisições no país, metade das operações de janeiro de 2018, em um total de R$ 150 milhões em investimentos.  Destas, duas foram no setor de Tecnologia e duas no segmento de Telecomunicações.

“O número de transações deste tipo vem diminuindo desde 2015, com uma leve retomada em 2017, para depois fechar o ano passado com expressiva redução”, explicou recentemente ao G1 o diretor de inteligência e pesquisa da TTR, Wagner Marques Rodrigues.

 

EUA

 

Quase 40% dos investimentos externos no Brasil vieram de empresas norte-americanas, que estão na liderança das aquisições de negócios no Brasil desde 2010. Os franceses apareceram em seguida no estudo, com 10,4% das brasileiras que foram adquiridas, e o Reino Unido, com 7,6%.

De acordo com a TTR, o setor de tecnologia e internet continuou como o mais atrativo para os estrangeiros no Brasil, seguido do financeiro e de seguradoras. O estudo considera fusões e aquisições, operações de private equity (fundos que injetam recursos em empresas) e venture capital (investimento em negócios em fase inicial). O relatório não leva em conta joint ventures (nova empresa formada a partir de duas).

Apesar do apetite menor dos estrangeiros, aquisições de peso chamaram atenção no setor de tecnologia.

A chinesa State Grid, maior empresa do setor elétrico do mundo, comprou o controle da CPFL Energia por R$ 14 bilhões. Outra chinesa, a Didi Chuxing, adquiriu o controle da brasileira 99 por quase R$ 1 bilhão. bA brasileira Movile, dona do iFood, recebeu aporte de US$ 500 milhões, o maior investimento já feito na empresa.

 

Destaque nacional

 

A conclusão da fusão anunciada pela Suzano Papel e Celulose e pela Fibria Celulose em 2018, ambas empresas brasileiras da indústria de papel e celulose, foi eleita pelo TTR como a transação destacada de janeiro. O valor do negócio foi de R$ 36,7 bilhões.

A Suzano foi assessorada na operação pelos escritórios Cescon, Barrieu Flesch & Barreto Advogados e BMA – Barbosa Müssnich Aragão. Também recebeu assessoria do Banco Itaú BBA, Riza Capital, Banco Bradesco BBI e Bank of America. Por seu lado, a Fibria contou com a atuação de Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados e Ulhôa Canto, Rezende e Guerra – Advogados. TozziniFreire Advogados e Morgan Stanley assessoraram os vendedores.

 

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