Investidores fixados em dois fatores

Europa começando o dia com boas altas e índices do mercado americano também operando no campo positivo no início da manhã.

Opinião do Analista / 12:23 - 9 de jan de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Ontem, no finalzinho do pregão, os investidores se assustaram com a notícia de dois mísseis atirados contra a zona verde de Bagdá e próximos da embaixada dos EUA. Isso logo depois de o presidente Trump ter falado sobre as tensões. Mas hoje, dois fatores prevalecem: a fala dura e ponderada de Trump, e o anúncio sobre o acordo comercial entre EUA e a China.

Efeito disso: as Bolsas asiáticas terminaram o dia com fortes altas, com destaque para Tóquio com valorização de 2,31%. As Bolsas europeias começando o dia com boas altas e índices do mercado americano também operando no campo positivo nesse início de manhã. Aqui, há espaço para recuperação depois de quatro pregões seguidos de queda e também por conta do petróleo em alta no mercado internacional que mexe com as cotações de Petrobras.

Como dissemos ontem, Trump foi duro em relação ao Irã, mas, na prática só deve fazer mais sanções contra o país. Além disso, deixou implícito que quer sentar à mesa e discutir acordo de paz. Já o vice-primeiro-ministro da China Liu He está marcando presença para estar em Washington entre 13 e 15 de janeiro para assinar o acordo de comércio bilateral com os EUA em sua primeira fase.

Ainda na China, a inflação medida pelo CPI (consumidor) anualizado de dezembro, ficou em 4,5% do previsto de ser 4,6%. O PBoC (o BC do país) também sinalizou que deve manter a liquidez e flexibilização da política monetária. Na Alemanha, a produção industrial de novembro cresceu 1,1% (previsão era +0,7%) e o saldo da balança comercial veio com superávit de 18,3 bilhões de euros. Na Zona do Euro, a taxa de desemprego ficou estável em novembro em 7,5%.

O presidente do BoE (o Banco Central inglês) Mark Carney, disse que os indicadores de conjuntura desde a eleição sugere queda das incertezas, mas não há garantias da recuperação econômica. A Câmara dos deputados dos EUA deve votar hoje limitações ao uso da força pelo presidente Trump. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,18%, com o barril cotado a US$ 59,72. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,111e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,87%, em queda. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, o ministro das Minas e Energia disse que até março deve entregar ao presidente uma solução sobre oscilações dos derivados de petróleo, mas entendendo que qualquer postura que não seja seguir o mercado internacional vai gerar incertezas para as operações de desinvestimento da Petrobras e BNDES, ainda que seja interferência indireta. O presidente Bolsonaro também confirmou cancelamento de sua presença na reunião de Davos e o ministério da Infraestrutura negou a privatização do porto de Santos, que foi anunciada pelo governador João Dória.

A expectativa para o dia é de Bovespa recuperando depois de quatro quedas sucessivas, dólar podendo ficar mais forte e juros em leve alta depois de quedas. Na agenda local, teremos a produção industrial de novembro e nos EUA os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior. Também teremos cinco dirigentes regionais do Fed discursando ao longo do dia.

.

Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor