INTERNACIONAL

Opinião / 13:20 - 29 de dez de 2000

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População mundial do ano 2000 Fechamos o ano 2000 com mais de 6 bilhões de habitantes no planeta. Trata-se de um fenômeno preocupante, principalmente porque atingimos esta elevada cifra acelerada e explosivamente. Com o crescimento da população aumentaram os bolsões de miséria e as desigualdades econômicas entre novos ricos e pobres. Em conseqüência cresceram as frustrações étnicas e sociais, fonte de conflitos dolorosos e sangrentos. Foi incrível a aceleração de crescimento da população mundial. Calcula-se que no ano de nascimento de Cristo o planeta inteiro era ocupado por cerca de 250 milhões de habitantes. Essa população levou 1.600 anos para dobrar, cerca de 545 milhões; em 200 anos dobrou novamente, em 1800, cerca de 1 bilhão; em 100 anos dobrou novamente, em 1900, 2 bilhões; no ano 2000 atingiu a cifra aproximada de 6 bilhões, triplicando em 100 anos. O que deu a média de dobrar em 50 anos. Esta aceleração torna-se impressionante se compararmos que a população começou levando 1.600 anos para dobrar e, em aceleração crescente, acabou dobrando no pequeno espaço de 50 anos. Vamos aos problemas trazidos por esta explosão populacional. O primeiro, que salta à vista, é a poluição ambiental. Esta imensa massa humana polui sempre, quer destruindo a natureza para construir, quer infectando a natureza com os detritos de toda ordem que produz. Outro fenômeno preocupante é a constante imigração do campo para as cidades. Formam-se imensos aglomerados urbanos de milhões de pessoas agravando os problemas de habitação, qualidade de vida e desemprego. Para se ter uma idéia do vulto dessa concentração urbana lembramos que em 1950, Nova York era única cidade do mundo com mais de 10 milhões de habitantes. Hoje ultrapassam os 10 milhões 19 megalópolis: seis na América (além de Nova York, S. Francisco, Cidade do México, Rio de Janeiro, S. Paulo e Buenos Aires), duas na África (Cairo e Lagos) e 12 na Ásia (Karachi, Bombaim, Nova Delhi, Calcutá , Daca, Shangai, Pequim, Osaka, Tóquio, Seul, Manila e Jacarta). Nós, brasileiros, sabemos por experiência própria, a gravidade dos problemas suscitados por uma mégalopolis formada pela acumulação rápida e desordenada de habitantes. Entre os problemas que se avultam neste planeta superpovoado destaca-se o das desigualdades econômicas e sociais, que fazem com que enquanto no Japão a expectativa de vida da pessoa é de 80 anos, em vários países da África Negra não chega a 40. O fenômeno complexo da explosão populacional está tirando o sono dos especialistas da ONU encarregados do estudo da eliminação dos focos de futuros, conflitos. Com as facilidades da informação que chega a todos os recantos do planeta e expõem com toda a clareza as desigualdades de qualidade de vida, aumenta o sentimento de injustiça social dos grupos mais carentes, e este sentimento tem sido o móvel principal dos conflitos reivindicatórios e guerras locais que continuam, infelicitando a sociedade mundial. Para se dar um exemplo, além dos conflitos civis, neste primeiro ano do milênio que estamos encerrando, tivemos de conviver com a guerras localizadas no Kosovo, Congo, Nigéria, Angola, Uganda, Ruanda, Burundi, Somália, Etiópia, Eriteia, Afeganistão, Cachemira, Timor de Leste e outras menores, além da milenar guerra da Palestina. O saldo macabro destas guerras alcança milhões de mortos e mutilados, além do drama de outros milhões de deslocados de suas terras e rejeitados pelos vizinhos. Os anseios de paz que todos renovamos no começo do Novo Ano não se mostram alvissareiros diante da diversidade e volume dos conflitos gerados, em grande parte, pela explosão populacional. Carlos de Meira Mattos General reformado do Exército e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG).

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