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Inteligência artificial dita novas regras nas empresas

O setor bancário é um dos mais representativos usuários.

Mercado Financeiro / 08 Fevereiro 2019 - 22:12

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No Brasil, existem empresas que se dedicam exclusivamente a criar ou aplicar soluções de inteligência artificial (IA) para aumentar a eficiência e competitividade em setores como seguros, marketing digital, varejo, agronegócios, educação, saúde, legislação, transportes e serviços financeiros. Da parte das empresas que passam a utilizar a inteligência artificial o que acontece no processo de uso é o aumento gradual da eficiência operacional e inovação em novos produtos e serviços.

Trazendo para a vida real são várias as aplicações da IA no dia-a-dia: em programas de computador, em aplicativos de segurança para sistemas informacionais, na robótica (robôs auxiliares), em dispositivos para reconhecimento de escrita à mão e reconhecimento de voz, em programas de diagnósticos médicos e muitas outras.

No relatório A Nova Física dos Serviços Financeiros que acaba de ser lançado pela Deloitte, em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF), é abordado como a IA está modificando o relacionamento das empresas com os seus públicos estratégicos. O relatório foi produzido em agosto de 2018 e foram realizadas mais de 200 entrevistas com principais líderes e executivos de organizações globais, incluindo os segmentos dos serviços financeiros e de tecnologia.  

Um dos fatores mais relevantes da aplicação da IA é auxiliar as companhias na prevenção de fraudes. Isso porque as soluções por meio de análise de dados compartilhados aumentam a precisão e o desempenho na busca por segurança do sistema financeiro. 

O setor bancário, por exemplo, é um dos mais representativos usuários e usa a tecnologia de inteligência artificial para detectar e evitar ações fraudulentas. Isso acontece da seguinte forma nesse setor: o software de IA recebe uma amostra muito grande de dados que inclui as ações fraudulentas e não fraudulentas, desta forma ele é “treinado” para verificar se a transação é válida com base nos dados. O software torna-se então incrivelmente hábil em detectar transações fraudulentas com base nas informações que são obtidas na base de dados.
“A Inteligência Artificial está remodelando rapidamente os atributos necessários para um negócio de sucesso em serviços financeiros. No futuro, as instituições financeiras serão construídas com base nos dados e na capacidade de alavancar esses dados”, destaca Sergio Biagini, sócio-líder da indústria de Serviços Financeiros da Deloitte.

 

Abria

 

Um exemplo de que o tema está ganhando terreno no país foi a fundação há dois anos da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria), que reúne tanto startups quanto empresas já consolidadas. A criação de uma entidade representativa foi iniciativa de um grupo de 16 empresas com atuação no setor de inteligência artificial. 

A partir da IA novos modelos de negócio estão surgindo. Em todos, o compartilhamento de dados é a peça chave para o sucesso competitivo. “Os primeiros a fazerem esse uso se diferenciarão, oferecendo melhores serviços, por meio de uma presença constante e customizações. As empresas que permanecerem estagnadas vão acabar descobrindo que suas antigas forças podem não mantê-las tão competitivas quanto antes”, acredita Biagini.

O objetivo da Deloitte com o relatório foi identificar insights que demonstram como a IA está criando novas formas de estrutura, nas quais capacidades novas e antigas estão sendo combinadas de maneiras inusitadas. Por exemplo: Centros de custo x Centros de lucro. Aqui, as instituições transformarão as operações de back-office, a partir da inteligência artificial, com o objetivo de acelerar o processo e também diminuir custos.

Para fidelização de clientes a IA está dando origem a um novo conjunto de fatores relevantes como, por exemplo, a capacidade das empresas de otimizar os resultados financeiros adaptando, recomendando e aconselhando os clientes, de forma a criar mais vínculo e mais assertividade em suas respostas. As instituições passarão a oferecer uma consultoria diferenciada, melhorando assim o desempenho.

A pesquisa que originou o relatório apontou que os indivíduos irão interagir cada vez mais com uma única plataforma ou agente de consultoria que fornecerá recomendações personalizadas sobre os tipos de produtos e serviços com os quais eles devem se envolver. Isso ocorrerá com base em dados e algoritmos que automatizarão a maioria das decisões rotineiras dos clientes.

“A IA exigirá uma avaliação conjunta de princípios e técnicas de supervisão para abordar as questões éticas e as incertezas regulatórias que estão impedindo as companhias de adotarem as capacidades de inteligência artificial”, cita Biagini que concedeu ao MONITOR MERCANTIL outras informações relacionadas ao tema:

Em que nível o Brasil está na aplicação da IA? 

- Muitas empresas no Brasil já utilizam a IA em diversas plataformas de negócio, mas ainda existe um longo caminho a percorrer na aplicação prática de IA na automatização de processos, no atendimento aos clientes. Esse é um tema o qual as instituições financeiras já estão atentas.

Na prevenção de fraudes a IA parece que faz toda diferença. É possível mensurar essa “proteção”? 

- Essa é uma das grandes áreas de aplicação na qual IA está auxiliando as empresas, está justamente nos processos e controles relacionados a prevenção de fraudes, aumentando a precisão e rapidez na análise de dados e ações de prevenção.

Que novos modelos de negócios surgem com o desenvolvimento da IA?

- Novos modelos de negócio estão emergindo como por exemplo: serviços integrados além dos produtos financeiros, curadoria de ecossistemas, dados e insights em escala e previsão na indústria de tecnologia.

Quando o relatório foi feito? Número de empresas ouvidas ou especialistas?

- O relatório foi produzido em agosto de 2018 e foram feitas mais de 200 entrevistas com principais líderes e executivos de organizações globais, incluindo os segmentos dos serviços financeiros e de tecnologia.  

Qual objetivo em preparar esse relatório?

- O relatório tem como objetivo mostrar o potencial de transformação na área de IA e ajudar a entender essa evolução, principalmente nas instituições financeiras.

Que dificuldades uma empresa enfrenta na adoção da IA?

- Os desafios na implementação da Inteligência Artificial não são pequenos, mas os benefícios que essa tecnologia pode trazer, compensam todo esforço. Dentre alguns desafios podemos mencionar o aprendizado no lado tecnológico, a definição e a priorização dos casos de uso para aplicação prática, além da governança que se faz necessária em torno dessas soluções.  

 

 

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