Instituto Aço Brasil se diz 'perplexo' com decisão de Trump

Entidade divulgou nota sobre declarações de presidente americano; para Mourão, decisão de Trump reflete tensão no mercado internacional.

Conjuntura / 16:12 - 2 de dez de 2019

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O Instituto Aço Brasil recebe com perplexidade a decisão anunciada hoje pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de restaurar as tarifas de importação de aço e alumínio provenientes do Brasil e da Argentina, sob o argumento de que estes países têm liderado uma desvalorização maciça de suas moedas, e que isso não é bom para os agricultores dos EUA.

Em nota, o instituto "reforça que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de 'compensar' o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países. Por último, tal decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas."

Já o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse hoje em São Paulo que o governo brasileiro não está desvalorizando a moeda artificialmente, como afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo Mourão reações como a de Trump ocorrem devido à tensão do mercado internacional causada pelo protagonismo do país nas relações comerciais com países como a China.

"Hoje mesmo tivemos no começo da manhã o presidente Trump dizendo que aumentará as tarifas do aço e do alumínio do Brasil e Argentina, porque estamos desvalorizando artificialmente nossas moedas. Não é isso que está acontecendo. Isso é característica dessa tensão geopolítica que nós estamos vivendo, que gera protecionismo. é um movimento anticíclico em relação à globalização".

Segundo ele, é preciso prestar atenção na China que ressurge carregando tradições milenares ao mesmo tempo em que é um moderno estado de nação e vem com ampliada e diversificada presença política e econômica. "Daí esse choque entre EUA e China que é tecnológico, comercial, mas também é uma disputa de poder. A ascensão da China abriu oportunidades para países como o nosso, tanto dinamizando nossas exportações quanto no que se refere ao fomento do desenvolvimento científico, tecnológico e financiamento de infraestrutura."

 

Com informações da Agência Brasil

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