Inep, uma das melhores instituições de avaliação educacional do mundo

Por Paulo Alonso.

Opinião / 17:49 - 23 de mai de 2019

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O Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, está comemorando oito décadas de relevantes atividades a serviço do desenvolvimento da educação brasileira. Seu surgimento ocorreu na década de 1930 e foi cercado de eventos e grandes articulações políticas e sociais para atender às necessidades educacionais urgentes inspiradas principalmente pelos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

Um alinhamento de oportunidades e a perspicácia dos fundadores permitiram que o Brasil criasse, naquele momento, um instituto vocacionado a apoiar o Brasil no enfrentamento de questões educacionais estruturais para o desenvolvimento do país.

A trajetória do Inep, em diferentes momentos de sua história, vem ressaltando questões estratégicas para o desenvolvimento do país, dentre as quais a erradicação do analfabetismo e a educação de jovens e adultos. Em diferentes projetos e ações institucionais, essas questões até hoje mobilizam as equipes técnicas do Inep.

 

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina

que prepara as democracias. Essa máquina é a escola.”

Anísio Teixeira

 

Desde sua criação, foram 34 mudanças no seu principal cargo de direção – no atual governo já foram trocados dois presidentes – 11 diferentes sedes, em duas capitais, e até mesmo uma “quase” extinção, habilmente revertida, e que culminou com a mudança de estrutura, elevando-o ao patamar de autarquia federal.

O Inep, desde a sua concepção, vem promovendo o levantamento de informações e estatísticas educacionais por meio da avaliação da educação básica e superior, o estabelecimento de indicadores de desempenho das atividades de ensino no país, padronizando estatísticas, avaliações educacionais, práticas pedagógicas e de gestão das políticas educacionais, organizando os exames de acesso ao ensino superior, articulando-se com instituições nacionais e internacionais, mediante ações de cooperação institucional, técnica e científica bilateral e multilateral.

Desde 1937, são 81 anos de uma história extraordinária, que edificou e modelou a autarquia que é o instituto hoje, um dos mais importantes órgãos do Ministério da Educação e, sem dúvida, uma das maiores e mais especializadas instituições de avaliação educacional do cenário mundial. E para comemorar data tão significativa, foi lançado, recentemente, um livro contando, em três partes, toda essa importante história.

A primeira delas se refere aos anos de 1937 a 2017 e coloca em evidência um percurso fascinante, que se confunde com a própria história do Brasil republicano. É contada por meio de uma narrativa reveladora não apenas de elementos já conhecidos da história do Inep, mas também de elementos importantes dos bastidores da evolução do instituto, desde sua fundação. Trata-se do capítulo intitulado “Do Instituto Nacional de Pedagogia ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira: O Inep e seu percurso singular”.

A perspectiva seguinte evoca o instituto atualmente, como uma poderosa autarquia federal, incontestável quando se trata do entendimento do cenário da educação brasileira, da avaliação de seus resultados, do planejamento de ações futuras e da elaboração de políticas públicas.

A segunda parte do trabalho, “O Inep em ação: Retrato de uma autarquia federal a serviço da educação brasileira”, apresenta as principais ações em curso para a avaliação da educação básica e da educação superior, desde o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), criado em 1990, até o recente Basis (Banco de Avaliadores), criado em 2017, com especial destaque às importantes cooperações internacionais que estão integradas a diversas ações em curso.

Por fim, a perspectiva futura busca situar o instituto nos anos vindouros a partir das conquistas alcançadas até agora. Explicita o que se almeja para o cumprimento da missão fundamental do Inep de apoio ao Ministério da Educação e a outras agências governamentais e não governamentais na edificação de uma sociedade mais justa e igualitária através da educação de qualidade para todos.

Nessa última perspectiva, cujo capítulo é “O Inep do Século XXI”, são apresentados a evolução e o fortalecimento do Inep em prol do desenvolvimento da educação nacional, exatamente como vislumbravam seus fundadores.

Além de obra agradável à leitura, há um registro histórico que ficará para as gerações futuras como referência do muito do que já foi feito, mas, principalmente, base de entendimento de muito do que ainda está por vir.

Além da história do Instituto, a narrativa traz fatos que se alinham com os grandes acontecimentos da História do Brasil, com a história das ideias pedagógicas e com a evolução das políticas públicas para educação, além de pequenas biografias sobre os grandes educadores brasileiros e personagens que integram o Inep.

A segunda parte: “1972 a 1995: Autonomia, resistência e consolidação” traz uma apresentação do Instituto atualmente, situando seu impacto no Brasil contemporâneo e explicando em detalhes os principais produtos e serviços educacionais oferecidos pela Instituição.

E por fim, o encerramento: “Inep no século XXI: – Abordagem prospectiva e visão de futuro”, apresentando um texto prospectivo, construído a partir de entrevistas de seus gestores e também de atores externos, a respeito do futuro do Inep e de sua atuação ao longo do século XXI.

Importante sublinhar o trabalho desenvolvido pela professora Maria Helena Guimarães de Castro que, ao assumir a presidência do Inep, em 1995, na gestão do ministro Paulo Renato de Souza, deu-lhe uma nova configuração, dando-lhe credibilidade, desenvolvendo-o e elevando-o a um verdadeiro instituto de pesquisas educacionais, reconhecido, inclusive, internacionalmente. Deve-se, certamente, à educadora Maria Helena o estágio no qual hoje se encontra o Inep.

 

 

Paulo Alonso

Jornalista, é chanceler da Universidade Santa Úrsula.

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