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Indicador de empregos não avança nem recua

Apesar da estabilidade do índice da FGV, evolução de seus componentes não foi homogênea em dezembro.

Conjuntura / 09 Janeiro 2019

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da Fundação Getulio Vargas ficou estável em dezembro, em 97,0 pontos. Pela métrica de médias móveis trimestrais, o indicador avançou pelo segundo mês consecutivo, em 2,0 pontos, para 94,9 pontos.

"O Indicador Antecedente do Emprego (IAEmp) manteve-se estável após ligeira recuperação no mês anterior, fechando o ano sem uma sinalização clara para os rumos do emprego em 2019", afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) também ficou inalterado em dezembro, em 98,9 pontos. Em médias móveis trimestrais o indicador subiu pelo terceiro mês consecutivo, para 99,3 pontos. O ICD é um indicador com sinal semelhante ao da taxa de desemprego, ou seja, quanto maior o número, pior o resultado.

"Depois recuar um pouco no mês anterior, o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) ficou estável, mas ainda em patamar elevado em dezembro. O resultado sinaliza que, livre de influências sazonais, a taxa de desemprego continua caindo muito lentamente", continua Viviane Seda Bittencourt.

Apesar da estabilidade do IAEmp na margem, a evolução de seus componentes não foi homogênea em dezembro. Dois indicadores contribuíram positivamente ao variarem acima dos 4 pontos e, cinco indicadores contribuíram negativamente, com destaque ao indicador de Emprego Previsto na Indústria que caiu 5,4 pontos.

Com relação ao indicador de desemprego, as duas classes de renda familiar mais baixas, contribuíram de forma positiva para o ICD, enquanto as duas classes de renda mais altas, contribuíram negativamente para o indicador.

 

Tecnologia - Já o coordenador do MBA de Marketing Digital da FGV André Miceli prevê que neste ano o mercado de trabalho irá recrutar profissionais com expertise em inteligência artificial, tecnologias imersivas, e-sports e blockchain. Segundo ele, com as novas tecnologias e comportamentos, a demanda por profissionais capacitados para atuar nessas posições certamente vai aumentar.

"Então veremos um paradoxo, no mínimo, estranho. De um lado, pessoas sem emprego, em função do alto grau de substituição de mão de obra - dada à automação de atividades repetitivas - e, de outro, empresas com grandes dificuldades para preencher vagas que demandem maior formação técnica. Pouca oferta de profissionais e aumento de demanda vão gerar aumento de salários e grandes oportunidades para os que estiverem capacitados", esclarece André Miceli.

O professor da FGV explica ainda que técnicas de deep e machine learning vão permitir que bots façam o atendimento e reduzam significativamente os custos de call center de empresas de todos os tamanhos. "Para que a inciativa funcione, serão necessários profissionais para treinar a retórica e os tipos de resposta desses algoritmos", admite o especialista em estratégia digital.

Miceli aponta, no entanto, que em um prazo um pouco maior veremos mais oportunidades para arquitetos e engenheiros. Para ele, esses profissionais terão que lidar com as modificações que as cidades sofrerão.

Outro nicho em que ele arrisca é o relacionado aos idosos, que, para ele, terão um alto grau de procura, "uma vez que a expectativa de vida irá aumentar muito. Também os consultores de comunicação especializados em empatia devem ganhar oportunidades. Isso porque as marcas, de forma geral, ainda não sabem se comunicar, levando em consideração as mudanças sociais que se estabeleceram no mundo nos últimos anos".