Indústria quer revitalizar o Mercosul

Negócios Internacionais / 15 maio 2017

O Mercosul perdeu importância econômica nos últimos anos. Prova disso é a queda na participação das exportações e das importações entre os países do bloco. Enquanto a participação das exportações intrazona caiu de 16,2%, em 2010, para 13,7%, em 2015, a participação das importações foi de 16,7% para 13,4% no período. Para revitalizar o comércio dentro do bloco, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou ao governo a Agenda Econômica e Comercial do Mercosul com 25 medidas em quatro áreas: macroeconomia; livre circulação e integração intrabloco; política comercial frente a terceiros mercados e agenda externa de negociações; e institucionalidade do Mercosul. De acordo com o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi, o principal desafio do bloco econômico está em se ter uma instância que resolva efetivamente as diversas questões e dê celeridade aos processos. “O Mercosul não possui um sistema de governança ágil e os países, durante esses últimos anos, não focaram na agenda econômica, o que acabou enfraquecendo o bloco”, destaca.

Para isso, a CNI defende o fortalecimento da Secretaria do Mercosul por meio de trabalhos conjuntos e solução de problemas comuns. Como um piloto, a proposta apontada na Agenda é que o órgão comece analisando temas que não são de sensibilidade para a soberania dos países, como questões de regras de origem e alterações temporárias e definitivas na tarifa externa comum (TEC). Também se propõe o aumento do corpo técnico da Secretaria, que hoje conta com apenas 35 pessoas, para produção de materiais técnicos e recomendações e análise da qualidade da integração do bloco e caminhos para o aprimoramento do bloco econômico.

 

Soja lidera exportações do agronegócio

O complexo soja (grãos, farelo e óleo) teve participação de 52,5% nas exportações do agronegócio brasileiro em abril. O desempenho do setor ocorreu tanto em volume embarcado quanto em faturamento, de acordo com a balança comercial do agronegócio, divulgada nesta quarta-feira (10) pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As exportações do complexo soja cresceram 12,6% em relação a abril de 2016, com US$ 4,55 bilhões. A maior parcela foi obtida pelas vendas de soja em grãos, que alcançaram quantidade recorde para o mês, de 10,43 milhões de toneladas (+3,4%), o que resultou em US$ 3,95 bilhões (+11,8%). Além disso, o preço médio do produto subiu 8,1% no período, passando de US$ 350 para US$ 378 por tonelada. Outro produto com destaque na balança comercial do agronegócio de abril foi o açúcar, que teve a quantidade e preço internacional aquecidos. As vendas de açúcar totalizaram US$ 723,87 milhões (+48,8%) e 1,62 milhão de toneladas negociadas (+6,2%).

 

Crescem as vendas externas fluminenses

Em março, a balança comercial fluminense registrou saldo de US$ 1 bilhão, com US$ 834 milhões importados e US$ 1,9 bilhão em exportações, aponta o boletim Rio Exporta, produzido pelo Sistema Firjan. Com o resultado, as vendas externas do estado do Rio apresentaram o melhor resultado trimestral em quatro anos. Nos três primeiros meses de 2017, houve avanço de 95% nas vendas externas, tanto de básicos quanto de industrializados, que geraram superávit de US$ 3,2 bilhões. Na pauta dos produtos básicos, as vendas externas de petróleo foram o grande destaque trimestral, tendo crescido 183% em comparação com 2016. O volume exportado no acumulado do ano atingiu o recorde da série histórica, iniciada em 1996. “Houve um incremento tanto do preço quanto da quantidade exportada. Em termos de preço, o avanço foi de 82% em relação ao primeiro trimestre de 2016. Já em volume, houve avanço de 56% nos barris exportados”, disse Thiago Pacheco, assistente de Comércio Exterior da Firjan Internacional.

 

Exportações produtos lácteos crescem 12,7%

O primeiro trimestre de 2017 foi marcado pelo aumento nas exportações e queda nas importações de lácteos. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), o desempenho das vendas externas do setor superou em 12,7% o mesmo período do ano passado. A receita totalizou US$ 38,9 milhões frente a US$ 34,6 milhões, no ano anterior. De acordo com o órgão federal, no primeiro trimestre do ano passado, o destaque entre os produtos exportados foi o leite em pó integral, com 54%, enquanto no mesmo período de 2017 foi o leite condensado, com 43%. Todos os produtos da pauta de exportação brasileira de lácteos registraram um desempenho melhor neste ano, na mesma comparação (exceto o soro), especialmente os queijos e o leite modificado.

 

Frango orgânico para os Emirados Árabes

Uma carga brasileira de frangos orgânicos deverá desembarcar nos Emirados Árabes Unidos nos próximos meses. Primeira empresa a fazer exportações do produto no país, a Korin está em fase final do projeto para abastecer os países árabes – a expectativa do diretor superintendente Reginaldo Morikawa é fazer o primeiro embarque em julho. Segue, assim, o plano de internacionalização do frango orgânico Korin. No ano passado, 8 toneladas foram exportadas para Hong Kong, completando um projeto iniciado em 2014. “Uma exportação de produtos orgânicos proveniente de proteína animal requer um grande planejamento, tanto do comprador quanto da empresa”, explica Morikawa.

 

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