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Indústria na rota do vício

Conjuntura / 09 Fevereiro 2018

Bebida e fumo evitam déficit robusto na balança industrial

As exportações da indústria de transformação atingiram US$ 133 bilhões em 2017, menos do que em 2008 e no período de 2011 a 2014, mas 9,2% superior às de 2016. As importações do setor totalizaram US$ 136,2 bilhões, ficando abaixo daquelas entre 2010 e 2015, mas com aumento de 9,7% frente ao ano anterior.

O déficit comercial da indústria de transformação encerrou 2017 em US$ 3,2 bilhões, acima dos US$ 2,4 bilhões de 2016, mas novamente em patamares muito baixos, destaca o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Ao analisar a balança do setor a partir da classificação da indústria de transformação em alta, média-alta, média-baixa e baixa intensidade tecnológica, segundo a metodologia desenvolvida pela OCDE, o Iedi constatou que as exportações de todas as faixas cresceram no ano passado, exceto para a indústria de média-baixa tecnologia, “negativamente impactada pela ampliação do déficit em derivados de petróleo”. As importações também cresceram de modo generalizado, sendo a única exceção a alta tecnologia, cujas compras externas ficaram virtualmente estagnadas.

O que salvou a balança da indústria de transformação foi, uma vez mais, a faixa de baixa intensidade tecnológica, cujo superávit aumentou 3,4% frente a 2016, atingindo US$ 40,1 bilhões em 2017, puxado por exportações de US$ 55,4 bilhões (alta de 6,6%). Basicamente, alimentos, bebidas, fumo e produtos industriais derivados da madeira.

O intercâmbio externo de bens produzidos por atividades de alta intensidade tecnológica registrou o menor déficit anual desde 2007, ainda assim de robustos de US$ 17,9 bilhões. As exportações cresceram pelo terceiro ano seguido, obtendo o segundo maior nível da série, atrás só de 2008. O resultado foi puxado pela indústria aeronáutica – cuja principal representante, a Embraer, é alvo da cobiça da norte-americana Boeing.

A faixa de média-alta intensidade encerrou 2017 também com déficit expressivo, de US$ 26,3 bilhões, porém menor do que em 2016. O destaque foi o ramo automotivo, o único superavitário dentro dessa faixa.

A indústria de média-baixa intensidade tecnológica, ainda que tenha piorado, permaneceu superavitária em US$ 1 bilhão.