Imposto sobre fortunas e lucros arrecadaria R$ 1,25 trilhão

Especialista mostra que planilha do governo sobre Previdência é fake.

Conjuntura / 22:52 - 13 de set de 2019

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O Imposto sobre Grandes Fortunas e a cobrança de Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros e dividendos garantiriam uma arrecadação de R$ 1,25 trilhão nos próximos dez anos, calcula a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fattorelli.
O valor é quase R$ 400 bilhões maior do que o Governo Bolsonaro planeja cortar dos aposentados com a reforma da Previdência. Fattorelli afirmou, em debate no Senado esta semana, que essa reforma é uma pauta de interesse do mercado financeiro nacional e internacional e será um retrocesso para a população.
“Vamos deixar de lado esse discurso de que precisa, de que há deficit na Previdência. Há deficit porque falta receita. E falta receita por causa dos privilégios, porque os lucros não são tributados, as fortunas não são tributadas nesse país. O problema não está na Previdência. O problema está na política monetária do Banco Central, que produziu a crise, que gastou R$ 1 trilhão nos últimos dez anos para remunerar a sobra de caixa dos bancos de forma ilegal”, afirmou a coordenador à Agência Senado.
As planilhas do Ministério da Economia que embasam a reforma da Previdência têm erros graves, informa Pedro Bastos em artigo para a revista CartaCapital. Ele obteve os dados via Lei de Acesso à Informação e descobriu que a equipe econômica não calculou, como dizia, uma aposentadoria aos 60 anos com 35 anos de contribuição; calculou uma aposentadoria por idade, com apenas 25 anos de contribuição.
A diferença infla o déficit que, segundo o especialista, é muito recente e foi provocado pela crise econômica. “Vai se tornar superávit sem reforma alguma, desde que a crise passe, e o emprego formal e a arrecadação das contribuições fiscais para a previdência (CSLL e Cofins) se recuperem. No longo prazo, basta que a renda per capita cresça a uma taxa de 0,72% ao ano para que as contribuições arquem o envelhecimento populacional de aposentados que terão salários fixos além do piso”, informa Bastos.
 

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