Idosos são os que mais contratam empréstimos entre a classe C

Pesquisa revela que aquisição de dívidas aumenta conforme idade; 64% teve que realizar corte em despesa ou adquirir produtos mais barato.

Conjuntura / 17:05 - 4 de out de 2019

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A relação da classe C com as instituições financeiras está entre os temas do levantamento inédito Data Check-up Brasil - Classe C. Produzida pelo Instituto Data Popular, a pesquisa aponta o que pensa e qual o comportamento desta que representa a maior parcela da população brasileira.

O levantamento nacional revela que a medida em que esse público envelhece, sua experiência com o sistema financeiro também se modifica: cresce a aquisição de contas bancárias e cartões. Verifica-se ainda um aumento na contratação de empréstimos, principalmente entre as pessoas com 55 anos ou mais, que representam 25% dos que já contrataram o serviço entre os entrevistados.

Quando o assunto é empréstimo consignado, ou seja, quando o valor das parcelas é descontado diretamente na folha de pagamento, o índice chega na casa dos 4%. Dentre estes, 14% representam a parcela da população idosa (com 55 anos ou mais).

De modo geral, 73% da classe C possui algum tipo de conta bancária. No entanto, a posse de cartões de débito e crédito aparecem em patamar inferior, com 63% e 43%, respectivamente. Além disso, ir pessoalmente à agência para movimentar serviços bancários ainda faz parte da rotina de 71% dos entrevistados. Quando o recorte deste índice é feito por idade, entre os entrevistados com 55 anos ou mais o número é ainda mais alto (81%).

A pesquisa ouviu 1.020 pessoas com renda entre R$ 1.646,95 e R$ 4.144,67, em 33 cidades brasileiras (escolhidas a partir de critérios populacionais), sendo 19 delas capitais. A margem de erro do levantamento, realizado entre os dias 4 e 18 de setembro, é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento ainda revela que 30% da classe C está desempregada, sem nenhuma atividade remunerada. Além disso, verifica-se um alto índice de pessoas que enfrentaram alguma adversidade financeira nos últimos seis meses. De acordo com o estudo, 64% teve que realizar um corte de despesa ou adquirir produtos mais baratos, e 41% citam dificuldades em pagar contas básicas de consumo, como água, luz ou telefone.

Quando o assunto é o nome negativado, 34% dos entrevistados afirmaram terem passado pela situação nos últimos seis meses e 25% deles permanecem nessa situação. Por outro lado, 66% nunca tiveram seu nome incluído em serviços de proteção ao crédito.

Embora o país esteja vivendo uma era de surgimento de startups financeiras e criando um ambiente favorável para conscientização nas finanças pessoais, o ato de investir ainda não é prática da classe C. O Data Check-up Brasil - Classe C aponta que 83% da população não possui nenhum tipo de investimento financeiro. Entre aqueles que investem (17%), a preferência ainda é pela chamada caderneta de poupança (15%).

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