Ibovespa tem 3ª semana seguida de queda

Mercado Financeiro / 16 junho 2017

Na volta do feriado de Corpus Christi, que manteve a B3 sem negociações na véspera, o mercado acionário local passou o pregão da sexta-feira repercutindo o pessimismo visto no movimento dos ADRs de companhias brasileiras em Wall Street, além do impasse no campo político.

Sem forças para reação, o Ibovespa conheceu sua terceira semana consecutiva de queda, registrando variação negativa acumulada de 0,94%. Nesta sexta-feira, o índice fechou em queda de -0,48%, a 61.626 pontos, em seu menor fechamento desde o dia em que foi acionado o mecanismo de "circuit breaker" por duas vezes, após a revelação do áudio da conversa do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. O giro financeiro negociado foi de R$ 11,52 bilhões, acima da média dos últimos 21 dias (R$ 7,23 bilhões)

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 encerraram o dia em queda de 9 pontos-base, a 9,10%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 recuaram 12 pontos-base, a 10,10%.

 

Destaques

 

Digerindo a queda dos ADRs (American Depositary Receipts) da véspera, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,49, -0,37%; PETR4, R$ 12,28, -2,69%) caem nesta sessão, apesar da alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Os contratos futuros do WTI fecharam em alta de 0,6%, a US$ 44,74 o barril.

As ações da JBS (JBSS3, R$ 6,62, -2,07%) mergulharam 7% da máxima do dia, após uma fonte negar à Reuters que o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, estava encorajando parceiros a fazer uma oferta pela maior processadora de carnes do mundo. No melhor momento deste pregão, os papéis da companhia subiram 5,92%, a R$ 7,16.

Na contramão dos preços do minério de ferro, as ações da Vale (VALE3, R$ 25,56, -2,07%; VALE5, R$ 24,32, -0,37%) tiveram queda nesta sessão, digerindo o pregão negativo dos ADRs na véspera, quando o mercado brasileiro esteve fechado por conta do feriado de Corpus Christi. Hoje, o minério de ferro subiu 1,5% no porto de Qingdao, na China, a US$ 55,23 a tonelada, enquanto os contratos futuros da commodity registraram alta de 0,95%, a 427 iuanes.

Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 17,89, -1,60%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas, cujos ADRs também caíram forte ontem. São elas: Gerdau (GGBR4, R$ 9,02, -2,28%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,45, +2,30%), CSN (CSNA3, R$ 6,24, -3,55%). A exceção foi a Usiminas (USIM5, R$ 3,99, +0,76%), que viram para alta ao longo do pregão. 

 

Dólar

 

O dólar avançou 0,20%, a R$ 3,2871 na venda, depois de oscilar entre a mínima de R$ 3,2784 e a máxima de R$ 3,2975. Na semana, a moeda acumulou leve baixa de 0,15%. "Ficamos na contramão do exterior, ainda com cautela com o político, pregão esvaziado e final de semana à frente", resumiu um profissional da mesa de câmbio de uma corretora.

O mercado segue monitorando eventuais novas delações que possam comprometer o governo e trabalha na expectativa da esperada denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, de olho nos impactos sobre o andamento das reformas no Congresso.

O dólar trabalhou predominantemente em alta desde o início da sessão, mas chegou a registrar leves baixas principalmente após dados mais fracos sobre a economia norte-americana.

No exterior, o dólar recuava contra uma cesta de moedas e também ante algumas moedas de emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de até 8,2 mil swaps cambiais tradicionais para rolagem dos contratos que vencem julho. Com isso, já rolou US$ 3,280 bilhões do total de US$ 6,939 bilhões que vence no mês que vem.