Ibovespa sobe, mas não evita queda na semana

Mercado Financeiro, Mercado Financeiro / 18:23 - 24 de mar de 2017

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O Ibovespa fechou com leves ganhos nesta sexta-feira (24), mas ficou com perdas na semana diante das questões envolvendo o cenário político doméstico e a tensão com as reformas do governo. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o dia foi de grande apreensão por conta da expectativa da votação no Congresso para o pacote de saúde do presidente Donald Trump - que acabou sendo adiado na última hora. Neste cenário, o benchmark da bolsa fechou com ganhos de 0,51%, aos 63.853 pontos - com volume de R$ 7,290 bilhões -, enquanto no acumulado da semana o índice caiu 0,55%. Após a votação chegar a ser marcada para 16h30, o projeto de lei que busca substituir o Obamacare foi tirado de pauta, em um sinal de derrota de Trump no Congresso. Ele pediu diretamente ao presidente da Câmara, Paul Ryan, que retirasse a proposta da pauta. A decisão foi tomada após os líderes republicanos não conseguirem persuadir membros suficientes de seu próprio grupo para apoiar o pacote. Foi a segunda vez em menos de 30 horas que os republicanos adiaram a votação na Câmara sobre a reforma do sistema de saúde. Por aqui, o mercado digere a confirmação de alta de impostos feita pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista ao SBT na véspera. Destaques da Bolsa Na semana, do lado negativo, as maiores quedas ficaram novamente com ações de commodities, com as siderúrgicas afundando até 4%. A ação de peso da Vale (VALE3, R$ 29,00, -0,82%;VALE5, R$ 27,29, -1,48%) também caiu mais de 1% nesta sexta-feira, enquanto a Petrobras (PETR3, R$ 14,17, +0,21%;PETR4, R$ 13,48, -0,66%), que subiu até 1,5% na máxima do dia, com petróleo e elevação da recomendação, fechou entre perdas e ganhos. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 21,03, -0,33%) - holding que detém participação da Vale - e as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 11,15, -2,62%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,03, -4,01%), Usiminas (USIM5, R$ 4,05, -2,88%) e CSN (CSNA3, R$ 9,79, -0,91%). Do outro lado, as ações da Lojas Renner lideraram os ganhos do Ibovespa. Em entrevista ao Valor, o presidente da varejista disse que a companhia mantém a meta de investir R$ 500 milhões em 2017, com abertura de 65 lojas. As ações da Cemig (CMIG4, R$ 10,21, +3,87%)t ambém apareceram entre as maiores altas (+3,8%), na esteira de uma notícia, divulgada ontem à tarde, de que a estatal mineira planeja elevar de 27% para 36% a fatia que irá vender da Light (LIGT3, R$ 20,94, +2,90%). Fora do Ibovespa, as imobiliárias foram destaques, com quedas de até 10%, após anunciarem balanços fracos do 4° trimestre. Uma das mais afetadas, a Tecnisa (TCSA3, R$ 2,70, -8,16%), sofria também com mais um anúncio de aumento de capital, entre R$ 74 milhões e R$ 150 milhões. Do lado das small caps, as atenções se voltavam para as ações da MMX Mineração (MMXM3, R$ 5,80, +26,36%), empresa de Eike Batista, que subiu até 50% nesta sexta-feira, com informações sobre seu plano de recuperação judicial. Por outro lado, as ações da JB Duarte (JBDU3, R$ 3,73, -25,99%;JBDU4, R$ 3,90, -29,09%), que dispararam 200% ontem com notícia de um ressarcimento de R$ 110 milhões, caíam quase 30% nesta sessão. Dólar O dólar recuou 0,94%, a R$ 3,1083 na venda, depois de bater R$ 3,1511 na máxima do dia. Nas três sessões anteriores, a moeda norte-americana havia acumulado alta de 2,15% sobre o real. Na semana, o dólar acumulou pequena elevação de 0,24%. "O mercado viu uma brecha para realizar", comentou o operador de uma corretora nacional, lembrando que na véspera já houve mau humor com a votação nos Estados Unidos e também com o noticiário político local. A percepção de que a interrupção da venda de carnes para diversos países depois da operação Carne Fraca vai prejudicar a balança comercial também continuou sendo repercutida pelos investidores. "Se não fosse o (cenário) doméstico, o dólar poderia cair muito mais", afirmou o diretor de tesouraria do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella. O Banco Central brasileiro vendeu integralmente nesta sessão o lote de até 10 mil swaps tradicionais ofertados para rolagem dos contratos de abril. Já foram sete leilões iguais, que reduziram a US$ 6,211 bilhões o estoque que vence no mês que vem.

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