Ibovespa renova maior fechamento da história

Mercado Financeiro / 12 Setembro 2017

Embalado pelo bom humor do mercado internacional e pela permanência do otimismo dos investidores no mercado doméstico, o Ibovespa voltou a renovar seu maior fechamento da história nesta terça-feira (12), encerrando o pregão em alta de 0,3%, a 74.538 pontos.

Após chegar a superar os 75 mil pontos pela primeira vez na história, o índice perdeu forças nas últimas horas de sessão, puxado sobretudo pelo noticiário político, com a abertura de um novo inquérito contra o presidente Michel Temer. Em uma hora, o índice perdeu cerca de 900 pontos, mas conseguiu encerrar o dia no campo positivo.  O giro financeiro negociado na B3 neste pregão foi de R$ 9,834 bilhões.

No radar dos investidores na sexta alta do benchmark em sete sessões, destaque para o movimentado noticiário político e a ata da última reunião do Copom, que sinalizou uma redução no ritmo de cortes de juros, mas não anulou a possibilidade de a Selic encerrar o ano abaixo de 7%.

O bom dia das commodities animou o mercado, assim como a alta nas bolsas internacionais, ao passo que a autorização da abertura de um novo inquérito contra o presidente Michel Temer voltou a preocupar os investidores sobre a possibilidade de avanços reais na agenda de reformas. Nas últimas horas de pregão, os papéis da Petrobras voltaram a cair, assim como as ações de bancos e siderúrgicas.

 

Destaques

 

Após chegarem a virar para alta no fim da manhã, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 15,40, -0,77%; PETR4, R$ 14,87, -0,80%) fecharam em queda, na contramão do desempenho do petróleo no mercado internacional. Em Londres, os contratos do petróleo Brent registravam alta de 0,84%, a US$ 54,29 o barril, enquanto os contratos do WTI, negociados em Nova York, subiam 0,37%, a US$ 48,25 o barril.

Embaladas pelos preços do minério de ferro e revisão de recomendação, as ações da Vale(VALE3, R$ 35,26, +0,48%; VALE5, R$ 32,40, +0,75%) subiram, mas em movimento bem mais moderado do que o visto ao longo do dia. Acompanharam a alta da mineradora os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 27,07, +0,45%) -- holding que detém participação na Vale. As siderúrgicas, por sua vez, viraram para queda nos instantes finais da sessão. A única a suportar a pressão foi a CSN (CSNA3, R$ 10,63, +1,24%). 

O minério de ferro spot (à vista) negociado no porto de Qingdao, na China, subiu 2,52%, a US$ 76,37 a tonelada, enquanto os contratos futuros da commodity cotados na bolsa chinesa de Dalian subiram 3,40%, a 548 iuanes.

As ações do Magazine Luiza (MGLU3, R$ 69,02, -11,85%) afundaram com oferta bilionária de ações. A varejista informou que seu Conselho de Administração aprovou a realização de oferta pública de distribuição primária e secundária de, inicialmente, 24.000.000 ações ordinárias, nominativas, escriturais e sem valor nominal.  A distribuição primária será de 17.600.000 novas ações ordinárias, enquanto a distribuição secundária será de, inicialmente, 6.400.000 ações ordinárias de titularidade de Luiz Helena Trajano, Onofre de Paula Trajano, Fabrício Bittar Garcia, Flávia Bittar Garcia Faleiros e Franco Bittar Garcia, com esforços restritos de colocação, ou seja, uma oferta restrita sendo realizada no mercado de balcão.

 

Dólar

 

O dólar registrou a maior alta em quase um mês nesta terça-feira, em um movimento de cautela com o cenário político, após o presidente Michel Temer voltar a ser alvo de inquérito e também depois que a Polícia Federal concluiu, em outra frente, que há existência de indícios de que Temer e ministros cometeram atos de corrupção.

O dólar avançou 0,81%, a R$ 3,1290 na venda, maior alta percentual desde a valorização de 1,02% registrada em 17 de agosto. Na máxima da sessão, registrou R$ 3,1390.

Na véspera, o mercado mostrou maior apetite por risco diante da percepção de aumento das chances de votação da reforma da Previdência após a prisão dos delatores da J&F, o que fortaleceu o presidente Michel Temer.

Nesta sessão, a alta do dólar no exterior ainda influenciou no movimento ante o real no mercado doméstico. O dólar subia ante uma cesta de moedas e ante divisas de países emergentes, como o peso mexicano e a lira turca.

Especulação nas mesas sobre a atuação do Banco Central também pressionaram o dólar, uma vez que o mês já se aproxima da metade e nenhum sinal foi dado pela autoridade monetária. Em outubro, vencem US$ 9,975 bilhões em contratos de swap cambial tradicional --equivalentes à venda de dólares no mercado futuro.