Ibovespa fecha semana em alta

Mercado Financeiro / 11 Agosto 2017

Deixando de lado o clima de aversão ao risco e reagindo após três sessões consecutivas de queda, o Ibovespa subiu nesta sexta-feira (11) seguindo Wall Street após o resultado abaixo do esperado da inflação ao consumidor nos EUA em julho, o que eleva a probabilidade do Federal Reserve seguir com sua política monetária expansionista. O dia também foi de maior alívio no mundo todo após a tensão dos últimos dias em relação à disputa entre EUA e Coreia do Norte.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 0,55%, aos 67.358 pontos, deixando para trás um pouco a tensão geopolítica do exterior, enquanto se prepara para a agitação em Brasília na próxima semana. O volume financeiro ficou em R$ 7,629 bilhões. Com estes ganhos, o índice conseguiu encerrar a semana com alta de 0,69%.

 

Destaques do mercado

 

Das 58 ações que fazem parte do índice, 9 tiveram ganhos de mais de 5%, enquanto apenas 5 caíram mais de 4%. Na ponta positiva, destaque para a Kroton, que subiu 8,62%, a R$ 16,01, e para as siderúrgicas CSN e Usiminas, que fecharam a semana com alta de 8,04% e 6,53%, respectivamente, cotadas a R$ 8,47 e R$ 5,87. Já entre as perdas, a Cemig liderou a ponta negativa com folga ao cair 8,14%, para R$ 8,13.

Embora tenha frustrado as projeções do mercado, o balanço da Petrobras (PETR3, R$ 13,51, -0,81%; PETR4, R$ 12,95, -1,82%) do 2° trimestre foi bem recebido pelos analistas. Ainda assim, os papéis da companhia recuaram nesta sessão, destoando do dia positivo dos preços do petróleo no mercado internacional. Em Londres, os contratos do petróleo Brent subiram 0,13%, a US$ 51,97 o barril, enquanto os contratos do WTI avançaram 0,31%, a US$ 48,74 o barril.

A Eletrobras (ELET3, R$ 13,73, +0,59%; ELET6, R$ 17,72, +2,43%) subiu com o lucro líquido caindo 98% no segundo trimestre na comparação anual, para R$ 306 milhões de reais. Em termos ajustados, a estatal teve lucro de R$ 162 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 157 milhões do ano anterior.

A BRF (BRFS3, R$ 41,05, +5,26%) subiu mesmo com prejuízo líquido de R$ 167,3 milhões no segundo trimestre de 2017, ante o resultado positivo de R$ 31 milhões apresentado no mesmo período de 2016.

A Fibria (FIBR3, R$ 36,38, +2,97%) aparece entre as maiores altas do dia após a companhia anunciar o aumento do preço da celulose em US$ 30 por tonelada, válido a partir de 1 de setembro, para os mercados da Ásia, Europa e América do Norte. Com isso, o novo preço da celulose de eucalipto da Fibria na Ásia sobe para US$ 720/ton, na América do Norte o novo preço será de US$ 1.090/ton e na Europa, US$ 910/ton. A Suzano (SUZB5, R$ 16,28, +3,76%) também sobe forte na esteira da novidade. É comum quando uma das empresas eleva os preços a outra também fazer o anúncio.

As ações da Vale (VALE3, R$ 30,80, -2,22%; VALE5, R$ 28,73, -1,44%) caem acompanhando o desempenho do minério de ferro. A commodity negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza, um dos mais acompanhados pelo mercado, recuou 1,94%, na marca de US$ 75,19 por tonelada, enquanto os contratos futuros de minério de ferro negociados na Bolsa de Mercadorias de Dalian caíram 4,80%, a US$ 80,42 por tonelada (536 iuanes).

 

Dólar

 

O dólar encerrou a sexta-feira em leve queda ante o real, após um dado de inflação mais fraco do que o esperado nos Estados Unidos esfriar as apostas para nova alta de juros no país neste ano. Ao longo da sessão, no entanto, os investidores monitoraram os cenários externo, em meio às tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Coreia do Norte, e interno, com as discussões sobre a meta fiscal.

O dólar recuou 0,05%, a R$ 3,1741 na venda. Na semana, acumulou alta de 1,56%, interrompendo uma sequência de cinco quedas semanais consecutivas. Na mínima da sessão, marcou R$ 3,1557 e, na máxima, R$ 3,1816.

"O dólar deu uma corrigida nos últimos dias e a inflação dos EUA favoreceu uma realização, mas com o final de semana, o investidor prefere não ficar vendido", resumiu um profissional da mesa de câmbio de uma corretora local.

Nos últimos três pregões, o dólar havia acumulado alta de 1,61% e, nesta sexta-feira, abriu espaço para corrigir após o dado norte-americano. O movimento, entretanto, perdeu força nos minutos finais da sessão.

O dólar recuava cerca de 0,40% frente a uma cesta de moedas, perdendo terreno também ante divisas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno. Juros maiores nos EUA tendem a atrair recursos aplicados em outras praças financeiras, como a brasileira.