Ibirapuera: empresa eleita por Covas fraudou reunião do plano diretor

Vereador denuncia que 83 pessoas vinculadas à concessionária participaram de atividades de participação popular como se frequentadoras.

São Paulo / 15:20 - 11 de out de 2019

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Em parecer à 6ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo encaminhado hoje, o vereador Gilberto Natalini (PV-SP) manifestou-se contra o processo de "audiências", "oficinas" e "encontros" promovido pela Prefeitura de São Paulo para elaborar o plano diretor do Parque Ibirapuera, cujo objetivo deveria ter sido reunir os elementos que norteariam a conduta da Construcap, empresa selecionada pela administração municipal para gerenciar o Ibirapuera e mais cinco parques da Cidade por um período de 35 anos.

Natalini denunciou que as reuniões foram fraudadas pela Construcap, cujos funcionários somaram 62,58% dos presentes que se disseram "usuários" do parque. Ao todo, 83 pessoas vinculadas ou ligadas à concessionária participaram das atividades de "participação popular" como se fossem frequentadoras da área verde e de lazer.

"Todo o processo ficou maculado. Como exemplos de participações indevidas estão a do executivo Samuel Henrique Cornélio Lloyd, que se disse 'personal trainner', apesar de trabalhar para a Construcap em Belo Horizonte, e de Patrícia de Araújo Levy, a 'usuária' assídua nas reuniões que, na verdade, é advogada do presidente da Construcap, Roberto Ribeiro Capobianco".

Em seu parecer, o vereador questiona se a pequena divulgação das reuniões e o baixo comparecimento de verdadeiros usuários foi proposital, com a finalidade de "esvaziar os encontros que poderiam dificultar a linha de desenvolvimento de plano diretor traçada pela Prefeitura/Construcap". Nesse sentido, "o plano diretor não passaria de um plano de gestão para atender às conveniências da Construcap".

Entre as pessoas e entidades que enviaram manifestações corroborando as denúncias de Natalini estão a deputada estadual Janaína Paschoal, o Arquiteto Nabil Bonduki, a Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia (Sojal), o coletivo Fórum Verde Permanente de Parques e Áreas Verdes, Martha Argel (Doutora em Ecologia), Ivan Carlos Maglio (Doutor em Saúde Ambiental) e cerca de 150 pessoas da sociedade civil paulistana que fizeram questionamentos sobre a falta de clareza e as intenções da Prefeitura/Construcap para arrecadar R$ 71 milhões anuais no atual Pavilhão das Culturas Brasileiras.

"Não somos contra a concessão, no entanto exigimos um plano diretor que garanta a manutenção dos serviços ambientais do parque", disse Natalini.

 

Opinião do Congresso - Também nesta sexta-feira, o Instituto FSB Pesquisa divulgou levantamento sobre a opinião de parlamentares do Congresso Nacional acerca da privatização de diversas empresas públicas como a Eletrobras, Correios e o Banco do Brasil. A pesquisa foi encomendada pela gestora de recursos Studio Investimentos e entrevistou 220 deputados federais e 27 senadores, totalizando 247 parlamentares do Legislativo Federal.

Resultados da pesquisa mostram, por exemplo, que 50,5% dos parlamentares apoiam a transferência do controle da Eletrobras para a iniciativa privada, enquanto 36,5% são contra. Já em relação aos Correios, 57,5% dos deputados e senadores também são favoráveis à privatização da empresa, enquanto 32,9% são contra. A margem de erro no total da pesquisa é de 5 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. As entrevistas foram realizadas entre 23 de setembro e 8 de outubro de 2019.

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