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Hum... Tá um cheiro...

Empresa-Cidadã / 20 Fevereiro 2018

A empresa Minerva Foods, aquela que embarcou 27 mil bois no porto de Santos com destino à Turquia, foi autuada pela secretaria de Meio Ambiente de Santos, em R$ 2 milhões, com base na Lei Complementar 817/2013, por causar “desconforto olfativo”.

 

O motivo foi o desconforto extremo para os habitantes da cidade, provocado pelo cheiro das fezes dos animais embarcados no navio Nada, a serviço da empresa. Embarcados a partir de 26 de janeiro deste ano, com a operação de embarque concluída no dia 31 de janeiro, o gado teve a sua permanência prorrogada no porto, em decorrência de ordens judiciais, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que determinaram a interrupção do embarque e obstaram a partida do navio, sob a alegação de maus tratos para os animais.

 

A operação, segunda em 20 anos com carga viva no porto de Santos, teve a autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq, quem já ouviu falar?), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e da Companhia Docas do Estado de São Paulo, que não acusaram irregularidades na operação.

 

Carro elétrico. Você ainda vai ter um

De acordo com o Centro de Pesquisa em Energia Solar e Hidrogênio de Baden-Württemberg (ZSW), da Alemanha, a frota mundial de carros elétricos cresceu 55% no último ano, atingindo 3,2 milhões de unidades. Em 2017, cerca de 580 mil exemplares foram somados à frota. A demanda da China deu uma estilingada no mercado. Nos EUA, circulam mais de 750 mil unidades, tendo sido este fluxo acrescido de quase 200 mil novos veículos, em 2017. Na Alemanha, circulam hoje cerca de 93 mil unidades. Os maiores fabricantes são as BYD e BAIC (chinesas), Tesla (norte-americana), BMW e Volkswagen (alemãs). A Volvo (sueca) já anunciou que, a partir de 2019, toda a sua produção será de veículos elétricos ou híbridos.

 

Carro elétrico. Você vai mesmo ter um?

Os veículos elétricos são estimulados em detrimento dos veículos com motor a combustão, por alegadas vantagens ambientais em relação a estes. Não emitem gases que contribuam para a mudança climática, nem gases tóxicos de nitrogênio. Assim, ajudariam a cumprir metas e compromissos de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Para ter certeza disso, ainda há algumas questões a responder, porém. A eletricidade que os abastecerá será oriunda de quais matrizes energéticas? Partirão de fontes de energia associadas à geração de dióxido de carbono? Como está previsto o descarte em grande escala dos acumuladores de energia das baterias?

Estudo realizado pelo Instituto de Energia e Pesquisa Ambiental (Ifeu), de Heidelberg, a pegada de carbono de um veículo elétrico é equivalente à de um veículo movido a motor de combustão interna, independentemente da potência do veículo. Estudo do Instituto Fraunhofer de Físicas das Construções, indica que a fabricação de um carro elétrico demanda uma quantidade duas vezes maior de energia do que a de um veículo convencional. A bateria é um fator crítico. Os pesquisadores avaliam que, para cada quilowatt-hora (kWh) de capacidade de bateria, seriam emitidos 125kg de dióxido de carbono. Assim, para uma bateria de 22kWh de um BMW i3, isso corresponderia a quase 3 toneladas de CO2.

Para a fabricação de um carro elétrico, são necessários metais como cobre, cobalto e neodímio. Muitas dessas matérias-primas provêm de países como China e República Democrática do Congo. A prospecção de tais materiais pode estar acompanhada de violações dos direitos humanos e destruição ambiental, além de desmatamento e poluição do solo e rios. Além disso, muitas montadoras usam alumínio para a carroceira de seus carros elétricos, e é sabido que a produção desse metal a partir da bauxita demanda grandes quantidades de energia. O Instituto de Meio Ambiente e Prognóstico (UPI), da Alemanha, cita a experiência norueguesa, país líder na venda de veículos elétricos. De acordo com o UPI, desde que subiram as vendas de veículos movidos a bateria, o número de pessoas que se utilizam do transporte público diminuiu em 80%. Assim, parece haver risco na estratégia delineada de estimular a produção e venda de veículos elétricos, sem privilegiar a eletrificação no transporte público.

 

Agenda

Bienal de Arte Digital – Coletiva, no Oi Futuro (Flamengo, no Rio de Janeiro), até 18 de março. A edição de estreia da Bienal de Arte Digital contará com exposições, performances e simpósios de cerca de 20 artistas de diferentes países que exploram o tema “linguagens híbridas”. A proposta da Bienal de Arte Digital é se tornar uma agenda nacional de arte digital e mostrar obras e exposições que reflitam temas sociais importantes, evidenciando que a arte possibilita à tecnologia exibir suas experiências sociais. Após sua estreia, o evento irá para Belo Horizonte, onde a programação ocorrerá no Conjunto Moderno da Pampulha - Museu de Arte da P ampulha (MAP).

 

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

http://pauloarteeconomia.blogspot.com