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Homenagem ao Bezerra da Silva

'O ladrão está escondido lá embaixo / Atrás da gravata e do colarinho'.

Empresa-Cidadã / 09 Abril 2019 - 15:51

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O ano fiscal de 2019 que, no Japão, começa neste mês, traz uma novidade. O governo decidiu cortar o uso de artefatos de plástico em estabelecimentos instalados em instituições governamentais. O objetivo é resguardar os oceanos desta matéria, presente em canudos, talheres, pratos e outros. Há exceções permitidas, como os utilizados por pessoas com deficiência. O ministro do Meio Ambiente, Yoshiaki Harada (ao que se sabe, não é condenado em qualquer instância da Justiça do Japão), diz que será rigoroso na cobrança pela aplicação da medida.

 

Europeus também cortam os canudinhos

No final do ano passado (24 de outubro), o Parlamento Europeu já tinha aprovado medida semelhante, para ser aplicada em todos os países da UE, de proibição de uso de artefatos de plástico, como canudos, talheres, pratos, cotonetes, etc, alguns dos quais já a partir de 2021.

Fazem parte do compromisso metas rigorosas, como a de reciclar ao menos 90% das garrafas de plástico, até 2025, com a obrigatoriedade dos fabricantes em participação no financiamento dos custos de gerenciamento do lixo. O principal argumento para as medidas é a participação do plástico em mais de 80% da composição do lixo à deriva nos oceanos. A lista inclui as conhecidas sacolinhas (que deverão ser substituídas por sacolas de papel ou bolsas retornáveis), as embalagens utilizadas para acomodar os sanduíches vendidos nas redes de fast-food (poliestireno), e ainda, produtos de plástico oxodegradável. Integram a lista maldita os filtros de cigarro (meta de redução de 50%, até 2025, e de 80%, até 2030). Dos 25 milhões de toneladas de lixo de matéria plástica que produzem, os países da UE só reciclam 25%, uma tonelada em cada quatro geradas.

 

O ‘caso Pizzability’

O restaurante Pizzability é um caso de empresa que possibilita a inclusão de pessoas com deficiência física ou intelectual. Localizado no bairro de Cherry Creek North (Denver, Colorado, EUA), estimula o consumo da parceria pizza & cerveja. A cerveja, artesanal, neste caso, é originária de uma cervejaria inspirada no mesmo conceito, a Brewability Lab.

A Pizzability disponibiliza painéis de estimulação sensorial, headfones para proteger a audição da exposição prolongada aos do restaurante ou de sons indesejáveis, talheres para quem tem dificuldades com tremores (casos de Parkinson, por exemplo), guias auxiliares para pratos, cardápios em braile, e outras facilidades do tipo. As instalações são acessíveis para cadeirantes, por rampa ou por elevador.

O restaurante Pizzability foi concebido por Tiffany Fixter e inaugurado em dezembro de 2018, com a missão de, criar oportunidades de emprego para adultos com deficiência intelectual ou física conhecidos também pelas siglas IDD (em inglês) ou PcD (entre nós), mas não só isso. Faz parte ativa da missão do Pizzability também proporcionar às famílias da cidade de Denver, com crianças ou adultos com necessidades especiais, a oportunidade de um restaurante em que a diversidade é aceita e bem acolhida. Após lecionar educação especial por onze anos, Fixter se convenceu de que poderia fazer mais para apoiar as pessoas com a oferta de um local de trabalho com denso significado.

Em 2016, ela inaugurou a cervejaria artesanal para empregar e capacitar adultos com deficiência para trabalhar em polos cervejeiros. Hoje, trabalham na cervejaria portadores de autismo, portadores de deficiência visual, de Síndrome de Down e de paralisia cerebral, entre outros. O endereço é 250, Steele Street, Denver (CO).

Mas há razão para se falar de um restaurante que está a milhares de quilômetros? Se a única distância fosse a dos milhares de quilômetros, não. Não haveria motivo para falar...

 

Bezerra da Silva, sempre atual

Compositor e intérprete de muitos sucessos, como Malandragem Dá Um Tempo (Vou apertar...); Se Gritar Pega Ladrão e Malandro é Malandro, Mané é Mané, Bezerra da Silva (Recife; 23 de fevereiro de 1927–Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005) brindou-nos também com Vítimas da Sociedade, trecho transcrito a seguir.

Se vocês estão a fim de prender o ladrão / Podem voltar pelo mesmo caminho / O ladrão está escondido lá embaixo / Atrás da gravata e do colarinho.”

Conheci o Bezerra num samba na Cruzada São Sebastião. Sempre me impressionou, além do talento musical e da sabedoria, a reverência a ele dedicada nas comunidades. Faz falta.

 

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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