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Há mais recursos da Caixa no governo do que dívida com o Tesouro

Presidente da Fenae critica postura do novo presidente da instituição que cobra dívida de R$ 40 bilhões.

Conjuntura / 11 Janeiro 2019

A posse do novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, veio acompanhada de afirmações que causaram estranheza aos empregados do banco público. Uma dívida de R$ 40 bilhões com o Tesouro, que teria de ser sanada nos próximos quatro anos, é uma delas.
O presidente da Federação Nacional das Associações de Empregados (Fenae), Jair Ferreira, explica a origem desse montante. “A Caixa é um banco 100% do Estado, um banco do povo brasileiro. Nas crises ela foi acionada para ajudar a segurar a economia para que não tivesse impacto muito grande entre os trabalhadores. Para isso, precisou fazer empréstimo”, diz. “Pela regra, precisa ter capital de reserva para fazer empréstimo e foi o que a Caixa fez.”
Assim, para o dirigente sindical, esse tipo de declaração serve apenas para desgastar a empresa junto à opinião pública. “A Caixa não tem dívida com o Tesouro, até porque o Tesouro é a sociedade brasileira”, afirma. “Todas as operações, todos os grandes projetos, grandes programas que ela desenvolveu, a sociedade já absorveu isso. Todos os dividendos, o lucro que ela teve foi repassado integralmente para o Estado. Se for fazer um cálculo histórico, tem muito mais recurso da Caixa no Tesouro do que, em tese, a Caixa estaria devendo.”
Em entrevista ao RBA, o dirigente da Fenae ressalta que toda a administração de programas sociais do Governo Federal intermediados pela Caixa foi estruturada com recursos e tecnologia da pró-pria instituição. Destaca ainda que as empresas controladas pela Caixa têm capilaridade em todo o país. “Se for criar uma estrutura para desenvolver nacionalmente um programa como Minha Casa Minha Vida, sairia caro à União. Então, faz um convênio com a Caixa, que recebe para executar porque tem estrutura e empregados para pagar”, explica Ferreira.
Diante das declarações do novo presidente do banco, Ferreira relata que a preocupação dos empregados da Caixa é grande, tanto com seus empregos quanto com a função social da empresa pública. “Se for trabalhar os bancos públicos com a lógica do banco privado, teremos só rentistas. Não acho errado ganhar dinheiro, claro. Mas temos tanta desigualdade. Os bancos têm de cumprir um papel mais focado no desenvolvimento das políticas, na implementação desses grandes projetos, no atendimento a população, do que simplesmente focar no rentismo.”