Guedes e sua turma começam o ano pressionados

Governo colhe resultados na economia piores do que com Temer.

Fatos e Comentários / 20:00 - 10 de jan de 2020

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O ano começa carregando nuvens pesadas vindas de 2019. A produção industrial teve seu pior novembro em quatro anos, a inflação ficou acima do esperado e o comércio troca chumbo sobre o desempenho no Natal. Ainda que os preços não continuem subindo, o fato é que o primeiro ano de Governo Bolsonaro termina com IPCA maior do que o de 2018 (com Temer, o Impopular), quando ficou em 3,75%, e o crescimento do Produto Interno Bruto inferior ao magro 1,3% de 2018 (os mais otimistas preveem alta de 1,2% no ano passado, mas os dados mais recentes podem frustrar até este fraco percentual). Em dezembro, o IPCA disparou, 1,15%, a maior alta para o mês desde 2002.

O valor da cesta básica subiu em 16 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese, em todas acima da inflação oficial. O maior aumento chegou a espantosos 23,64%. O governo não só acabou com a política de aumento real para o salário mínimo, como determinou reajuste abaixo da inflação. A forte elevação de preços de alimentos – não só carne, mas arroz, feijão e outros itens básicos da dieta brasileira – deixa a questão ainda mais delicada. Na média, os preços dos produtos alimentícios subiram 6,37% no ano passado, mas carne (32,4%), feijão-carioca (55,99%), alho (33,5%), ovos (14,73%), frango inteiro e em pedaços (12,21% e 15,26%) acumularam altas de dois dígitos. Lembre-se que a forte seca de 2013/2014 fez disparar o preço da comida e da energia elétrica e minou o Governo Dilma.

No lado financeiro, a queda nos juros foi um gol, mas, com a alta do IPCA, já se fala em subir. O ano passado fechou com saída líquida de US$ 44,77 bilhões, a mais alta da história. A conta financeira registrou saída líquida de US$ 62,24 bilhões, boa parte através da retirada, por investidores estrangeiros, de US$ 44,5 bilhões.

Assim, nem mesmo entre seus pares o ministro Paulo Guedes e a equipe econômica conseguiram emplacar o discurso da volta da credibilidade. Em ano de eleição, com pouco, quase nada, a apresentar e com a inflação na mesa do brasileiro, Guedes e equipe vão estar sob pressão.

 

Terra arrasada

Os investimentos feitos pelos fundos de pensão dos funcionários das empresas estatais sempre foram alvo de cobiça no meio empresarial e no financeiro. Uma pequena fração percentual a mais em um valor aplicado bilionário significa gordos lucros, muitos agrados, poucas investigações e quase nenhuma punição.

Demarcado o terreno, é importante dizer que propinas e mutretas são a exceção, não a regra. Ainda é cedo para dizer se é o caso na Operação Greenfield, que investiga desvios através de investimentos na Sete Brasil. Até um assessor especial do ministro Paulo Guedes foi denunciado pelo Ministério Público Federal (por fato ocorrido no governo anterior, ressalte-se).

O que parece é uma confusão, por ignorância ou proposital, em que se tenta condenar políticas de governo. A Sete Brasil foi uma fórmula engenhosa de viabilizar a construção de plataformas de petróleo no país, agregando investidores – fundos de pensão e os maiores bancos – sem pressionar o balanço da Petrobras.

A construção permitiu ao setor naval gerar 80 mil empregos diretos e viabilizou uma cadeia de fornecedores de peças e serviços nacionais. Tudo foi desmontado, de uma hora para outra, a partir da difundida fake news de que a Petrobras estava quebrada.

A justiça tem o dever de separar o que é mutreta, se houve, do que foi uma política implementada por um governo eleito – e explodida por um governo não eleito.

 

Inversão do sujeito

Na Globonews, a apresentadora fala de reação dos Estados Unidos ao ataque às bases norte-americanas feito pelo Irã. Tudo bem que é um conflito de anos, mas o caso atual não começou com o assassinato, pelos EUA, do general iraniano?

 

Bumerangue

Merece a leitura o artigo “Como os EUA ajudaram a criar a sangrenta guerra de gangues de El Salvador”, publicado pelo jornal britânico The Guardian (é longo e em inglês)

 

Avançar contra quem?

Já podem ser vistos, em carros, plásticos com a campanha pra lá de ilegal e antecipada: “Bolsonaro 2022: primeiro consertamos, agora avançamos”. O conserto, mostram os números, não resistiu à primeira chuva. Mas é sincero ao admitir que, nesses 4 anos, nada vai avançar.

 

Rápidas

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