Governo privatiza ‘raspadinha’ e tira recursos do social

Atualmente, todo dinheiro arrecadado com loterias é investido nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança, educação e saúde.

Conjuntura / 23:18 - 22 de out de 2019

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O Governo Bolsonaro levou a cabo nesta terça-feira a venda das Loterias Instantâneas, a Lotex, atualmente operada pela Caixa Econômica Federal. Popularmente conhecida como “raspadinha”, a Lotex foi vendida pelo preço mínimo fixado em R$ 542,1 milhões para o consórcio Estrela Instantânea, formado por grupos da Itália e dos Estados Unidos – que juntas detêm 80% de participação do mercado de loteria instantânea no mundo – único interessado após três tentativas de venda.
A privatização da Lotex terá impacto direto na vida dos cidadãos brasileiros. Atualmente, todo dinheiro arrecadado com loterias é investido pela Caixa nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde. Em 2018 foram R$ 6,5 bilhões. Só para a educação foram destinados R$ 730 milhões, já que os prêmios não resgatados depois de 90 dias também vão para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
A conselheira eleita do Conselho de Administração da Caixa Rita Serrano, ouvida pelo site Reconta Aí, diz que essa arrecadação chegou a R$ 8,1 bilhões no primeiro semestre, sendo R$ 4,8 bilhões apenas no segundo trimestre. O repasse semestral para esses setores foi de 37,3% do total arrecadado.
Para ela, a medida é parte da operação do plano de privatização da Caixa. “O desfecho, com a venda da Lotex, caracteriza o que já denunciamos há tempos: há um fatiamento com vistas à privatização das operações do banco público, diminuindo seu papel, representando uma imensa perda para o desenvolvimento do país”, destaca. 
 

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