Governo inclui Ceagesp na lista de privatizações

Presidente do sindicato dos trabalhadores já alertara para o risco de monopólio privado.

Conjuntura / 22:56 - 7 de out de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Maior central de abastecimento da América Latina, por onde circula diariamente metade de tudo o que é vendido no comércio varejista de alimentos no país, a Companhia de Entrepostos e Arma-zéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND), conforme o Decreto nº 10.045, publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira.
O documento designa o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como responsável pela execução e acompanhamento dos atos necessários à privatização da Ceagesp.
Vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a companhia é uma empresa pública federal, sob a forma de sociedade anônima. De acordo com o Mapa, a Ceagesp mantém a maior rede pública de armazéns, silos e graneleiros de São Paulo, totalizando 18 unidades ativas distribuídas em todo o estado.
Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, em 27 de agosto, o presidente do sindicato dos trabalhadores da Ceagesp, Enilson Simões de Moura, o Alemão, já alertara que com a privatização da companhia o governo estava abrindo mão do controle sobre o abastecimento da população. Pior: da maneira como o projeto de privatização vem sendo tocado, o serviço corre o risco de cair em mãos do monopólio privado.
“O pessoal fala que o valor disso aqui é R$ 1 bilhão. Naturalmente, não vai acabar. Primeiro vão construir um novo em outro lugar, o governador do estado já disse que está tratando disso, e depois vão destruir esse aqui”, advertiu o sindicalista.
O professor Walter Belik, da faculdade de Economia da Unicamp e especialista em abastecimento, alerta sobre a importância da presença do estado no setor, tanto nas questões de controle de quali-dade como na variedade de ofertas. No Ceagesp, são comercializados cerca de 500 produtos diferentes.
“Do ponto de visto urbano, é importante para a manutenção dos pequenos comércios, por exemplo, feiras livres, quitandas, açougues etc. Não podemos favorecer a concentração do varejo de ali-mentos”. 
 

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor