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Governo gasta 20 vezes mais com juros que com investimentos

Conjuntura / 14 Abril 2018

O Governo Federal deverá pagar em juros da dívida, este ano, 20 vezes mais que aquilo que gastará com investimentos. Quem faz a comparação é o professor de economia da PUC-SP, Antonio Corrêa de Lacerda, em entrevista à Record News e reproduzida pelo Portal Vermelho. O economista argumentou que, apesar de a Selic estar na sua mínima histórica, a taxa de juros real (descontada a inflação), ainda é uma das mais altas do mundo.
“Este ano, o Governo Federal deverá investir menos de R$ 20 bilhões. O programa Bolsa Família, que atende 51 milhões de pessoas, custa R$ 30 bilhões por ano. Mas vamos gastar R$ 400 bilhões com o pagamento de juros, para se ter uma ideia do tamanho”, disse.
De acordo com o economista, o país vive um cenário de desinflação (quando a inflação de um mês é menor que a do mês anterior) e os índices de preço ao consumidor em patamar tão baixo deveri-am estimular uma redução maior nos juros. 
A inflação oficial, divulgada pelo IBGE esta semana, ficou em 0,09% em março, bem abaixo dos 0,32% de fevereiro. Trata-se do menor nível para o mês em 24 anos. Lacerda apontou, contudo, que o resultado, na verdade, está associado à debilidade da economia brasileira, que, após dois anos recessão, cresceu quase nada em 2017 e não deve recuperar as perdas em 2018. 
 “Provavelmente, o que aconteceu é que o Banco Central errou a mão na dosagem dos juros, subiu demais ou demorou para reduzir a taxa. Eles não reconhecem isso, mas a realidade é essa. Os componentes dessa inflação são crise, desemprego alto, renda muito atrofiada”, detalhou o professor da PUC-SP. Sem demanda, os preços se mantêm baixos, sinalizando a falta de vitalidade da economia.
Lacerda também destacou que, além do mais, no país, a diferença entre a taxa básica de juros e aquela que é cobrada pelas instituições financeiras a empresas e famílias é enorme. “Esses 6,5% são juros primários. Mas, quando vamos ao banco, não pagamos juros primários, pagamos juros universitários, com pós-doutorado”, ironizou.
“A distância entre a taxa básica e o que chega ao tomador final é descomunal. O juro do empréstimo pessoal hoje é de cerca de 50%, 55% ao ano. O que é muito alto já. Mas se você cair no cheque especial, é 320% ao ano”, exemplificou.