Governo corta R$ 10,45 bi dos militares e R$ 1,154 tri dos civis

Trabalhadores privados e miseráveis serão tungados em quase R$ 900 bilhões.

Conjuntura / 23:06 - 20 de mar de 2019

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O presidente Jair Bolsonaro entregou à Câmara dos Deputados a proposta para a previdência dos militares. Nos próximos dez anos, serão cortados R$ 97,3 bilhões. Porém, o governo gastará R$ 86,85 bilhões na reestruturação da carreira militar, o que significa que o saldo será de apenas R$ 10,45 bilhões. A reforma da Previdência pretendida pela equipe econômica cortará R$ 1,154 trilhão dos trabalhadores, entre servidores civis e empregados do setor privado.
Os militares passarão a contribuir mais. A alíquota de 7,5% passaria para 10,5% até 2022. A nova regra prevê um aumento de cinco anos no tempo de serviço, aumentando de 30 para 35 anos, tanto para homens quanto para mulheres. O cálculo, porém, inclui o tempo nas escolas de formação.
Dessa forma, fica mais difícil sustentar o principal argumento do governo em defesa da reforma, a de que seriam eliminados privilégios. O presidente da federação dos auditores das receitas estadu-ais (Fenafisco), Charles Alcântara, afirmou à Folha de S.Paulo que 75% da economia prevista com a reforma recairá sobre trabalhadores da iniciativa privada de renda baixa, pessoas em situação de miséria e trabalhadores rurais.
De acordo com estudo do professor da Unicamp Eduardo Fagnani, do R$ 1,165 trilhão que o governo pretende cortar em dez anos, R$ 715 bilhões virão de mudanças nas regras de aposentadoria para trabalhadores da iniciativa privada (RGPS) e do campo. Outros R$ 182 bilhões serão obtidos com mudanças nas regras para idosos miseráveis e no abono salarial.
O economista e diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, disse, em entrevista à CUT, que “se o governo corta esse gasto com os benefícios, ele reduz o nível da atividade econômica.”
Quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, fala em economizar R$ 1 trilhão, ele está tirando R$ 1 trilhão da massa salarial, dinheiro que iria para o consumo, complementa Ganz, mostrando que a promessa de geração de 8 milhões de empregos terá o mesmo destino da feita por Michel Temer quando emplacou a reforma trabalhista: mais desemprego.
 

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