Gol vê necessidade de disciplina em capacidade do setor

Mercado Financeiro / 15:02 - 7 de nov de 2016

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A Gol vê leve aumento nos yields nas reservas para as férias do fim de ano, mas segue cautelosa quanto a uma tendência de melhora do indicador que mede preços de passagens para 2017, atrelando uma recuperação à disciplina de capacidade pelo setor, disse o presidente da companhia aérea, Paulo Kakinoff. "Havendo disciplina de capacidade no setor como um todo, podemos dizer que há tendência clara de recuperação da indústria", afirmou Kakinoff após a divulgação do resultado do terceiro trimestre da empresa. O executivo destacou que a Gol está observando melhoria das tarifas de novembro, dezembro e janeiro, mas reforçou que ainda é muito cedo para avaliar se haverá evolução do yield nos próximos trimestres, e que não se pode dizer que não haverá futura redução nos próximos trimestres. No terceiro trimestre, o valor médio pago por passageiro para voar um quilômetro subiu 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado, para 22,89 centavos de reais, ajudado pela redução dos assentos disponíveis para venda em 20,1%, de acordo com o balanço divulgado mais cedo. Nesse contexto, a companhia revisou projeção sobre a oferta de lugares em voos em 2016 e agora espera queda de 8% em ante estimativa anterior de queda de 5% a 8%. Ao mesmo tempo agora prevê margem operacional (Ebit) de 6%, ante variação estimada anteriormente em 4% a 6%. Frota menor A Gol seguirá reduzindo sua frota neste e no próximo ano, conforme vê um cenário macroeconômico ainda volátil, o que deve também ter um efeito benigno na sua dívida. No final do terceiro trimestre, do total da frota de 135 aeronaves Boeing 737-NG, a Gol operava em suas rotas 116 aeronaves. Das 19 aeronaves remanescentes, 11 estavam em processo de devolução e 8 foram subarrendadas para outras companhias aéreas. De acordo com o vice-presidente financeiro da Gol, Richard Freeman Lark Jr, outras duas aeronaves deverão entrar no processo de devolução nos últimos três meses deste ano o que fará a empresa encerrar 2016 com 122 aviões. A projeção da companhia aponta que é esperado que a Gol termine 2017 com 117 aviões, e que em 2018 haja um incremento para 120 aviões, depois 124 aeronaves em 2019 e 129 para 2020. Kakinoff afirmou ainda que essa contração seguirá necessária para que a companhia mantenha o alto índice de aproveitamento das aeronaves. “A retomada econômica é gradual e a gente precisa que essa demanda seja mais consistente para pensarmos em aumentar a frota”, disse. Tais devoluções programadas implicam uma redução de R$ 1,5 bilhão a R$ 1,6 bilhão na dívida da Gol, de acordo com o executivo. Isso deve fazer com que o indicador de alavancagem, relação entre dívida total ajustada e Ebitdar, fique entre 5 e 6 vezes. No terceiro trimestre, ficou em 7,2 vezes. Em meio aos ajustes na oferta, a expectativa para a taxa de ocupação em 2016 é de ligeiro acréscimo, para 78% em 2016. Na visão de Kakinoff, a Gol está adequada ao tamanho do mercado, após três anos de crise da economia. Executivos da Gol também destacaram o efeito da disciplina de custos no resultado operacional do terceiro trimestre, quando o lucro antes de juros e impostos (Ebit) somou R$ 232,6 milhões, com margem positiva de 9,7%, alta de 9,3 pontos percentuais contra o mesmo período de 2015. As despesas e custos operacionais totalizaram R$ 2,17 bilhões nos três meses até setembro, queda de 12,6% frente ao ano anterior. Lucro A Gol Linhas Aéreas Inteligentes reverteu prejuízo e reportou um lucro líquido de R$ 65,9 milhões no terceiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando houve prejuízo da ordem de R$ 2,133 bilhões. A receita operacional líquida atingiu R$ 2,401 bilhões, queda de 3,5% na mesma base de comparação. O yield líquido da companhia avançou 1,5%, para R$ 0,2289 no período de julho a setembro deste ano. O preço do litro do combustível ficou em R$ 1,96, 8% menor quando comparado com o mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, a taxa de ocupação total aumentou 1,2 ponto percentual no trimestre, atingindo 79,8%. No mercado doméstico a elevação foi de 1,2 ponto porcentual, para 80,4% e no mercado internacional a taxa de ocupação foi de 74,6%, uma evolução de 0,3 ponto percentual frente ao mesmo período de 2015. A alavancagem financeira (dívida bruta ajustada/Ebitdar) encerrou o trimestre em 7,2 vezes, frente a relação de 8,4 vezes apurada no trimestre imediatamente anterior.

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