Gol deve continuar queimando caixa no segundo trimestre

Empresas / 17:26 - 12 de mai de 2016

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A Gol Linhas Aéreas deve continuar queimando caixa no segundo trimestre deste ano, embora não seja possível determinar com exatidão qual será a magnitude deste movimento, afirmou Edmar Lopes, diretor financeiro da companhia, durante teleconferência. “A incerteza no Brasil é muito alta no momento. Sabemos que vamos queimar caixa”, disse ele, acrescentando posteriormente que a queima de caixa deve ser semelhante à observada no primeiro trimestre deste ano. No período, o fluxo de caixa da companhia ficou negativo em R$ 105 milhões. A empresa manteve as projeções operacionais para 2016, esperando contração de 5% a 8% na oferta total e declínio de 15% a 18% tanto no total de assentos quanto no volume de decolagens. Segundo o executivo-chefe da Gol Linhas Aéreas, Paulo Kakinoff, as projeções foram reafirmadas dado o alto nível de incerteza. “Não podemos oferecer nenhum tipo de guidance adicional para outras métricas”, disse ele durante a teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre.   Troca de bônus   Paulo Kakinoff disse que a oferta de troca de bônus denominados em dólar feita pela empresa é "não negociável" e "a melhor que podemos oferecer", afirmando que tem percebido interesse dos detentores das notas em entender a operação. “O atual resultado, com a condição de caixa, iniciativas de liquidez e o cenário macroeconômico, não dá qualquer horizonte para que a companhia ofereça uma condição melhor”, disse Kakinoff. “A companhia estruturou o que poderíamos oferecer de mais atrativo dentre as possibilidades que tem tanto de liquidez quanto de pagamento de prêmio”, acrescentou. Sob os termos da proposta, a Gol sugeriu trocar até US$ 780 milhões em bônus sem garantias no mercado norte-americano e com vencimentos que vão de 2017 a 2023, além de um bônus perpétuo, por títulos novos com garantia e vencimentos em 2018, 2022 e 2028. A Gol convidou os detentores de bônus a acessar um site com as informações sobre a oferta e a se cadastrarem para terem dados sobre sua evolução, disse Kakinoff. Por meio do acesso ao site, a Gol disse que consultoria que assessora a empresa tem percebido um nível "muito acima da expectativa que existia para esse cadastramento", com "claro interesse em entender a oferta". Na semana passada, grupo de detentores de bônus da aérea rejeitou proposta da empresa para troca dos títulos denominados em dólar, em plano que busca uma redução de até 70% no valor de face de alguns deles, recomendando que demais detentores de notas também recusem a proposta. Kakinoff acrescentou que negociações com debenturistas ainda estão em andamento. A Gol tem dívida de R$ 1,05 bilhão representada por debêntures em circulação e iniciou discussões visando algumas concessões.   Resultado   A Gol reportou lucro líquido de R$ 757,1 milhões no primeiro trimestre do ano, invertendo o prejuízo líquido de R$ 672,7 milhões do mesmo período de 2015. A receita operacional líquida atingiu R$ 2,71 bilhões, alta de 8,3%. Os resultados da empresa foram amplamente beneficiados pela apreciação do real no primeiro trimestre, que gerou um ganho de R$ 653 milhões durante o período. Nos primeiros três meses do ano passado, a Gol havia registrado uma perda de R$ 774 milhões apenas com a oscilação do câmbio. O Ebitdar (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação, amortização e custos com leasing de aeronaves) no trimestre somou R$ 875,8 milhões, alta de 86,8% em relação ao primeiro trimestre de 2015. O yield (valor médio pago por passageiro por quilômetro voado) do período subiu 17,3%, para R$ 0,2568. O yield líquido da companhia cresceu 17,3% no primeiro trimestre ante igual período do ano passado, para R$ 0,2568. O preço do litro do combustível aumentou 3,8% na mesma base de comparação, para R$ 2,03.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor