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Gás industrial no Brasil custa três vezes mais que nos EUA

Fiesp diz que não é possível uma empresa suportar aumento de 35% no insumo.

São Paulo / 08 Fevereiro 2019 - 11:51

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Não há empresa capaz de lidar com variação abrupta de 35% no custo de qualquer insumo, protesta a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) frente ao aumento das tarifas de gás natural para indústrias no estado.

Um reajuste dessa magnitude é uma afronta. Isso atinge a competitividade e a saúde financeira das indústrias e eleva o custo do produto final, afetando toda a sociedade”, reclama o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. A elevação foi anunciada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) em 1º de fevereiro, para aplicação imediata.

A diretora de Economia da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fátima Giovanna Coviello Ferreira, não vê motivo para o aumento. A cotação do dólar se encontra na mesma faixa de maio de 2018 e o preço do barril de petróleo está mais baixo que no ano passado.

Estudo da Confederação Nacional da Indústria aponta que o preço médio do gás natural industrial alcançou US$ 14 por milhão de BTUs em julho de 2017, mais do que o triplo do que os US$ 4 por milhão de BTUs cobrados nos Estados Unidos, que é o maior produtor e o maior consumidor do combustível no mundo.

A indústria e as termelétricas são responsáveis por quase 90% do consumo. Em 2017, o setor industrial teve uma participação de 48% no consumo nacional, enquanto que o das termelétricas foi de 40,3%.

Ao autorizar o aumento para a concessionária Comgás, a Arsesp informou que a tarifa final do gás canalizado é formada, “essencialmente, por dois componentes: preço do gás e transporte, não regulado pela Arsesp, pois é determinado pelo fornecedor do gás (Petrobras); remuneração dos serviços prestados pela concessionária, denominada Margem Máxima, essa, sim, regulada pela Arsesp e reajustada anualmente, com base no contrato de concessão”.

A Agência explicou que o preço do gás e transporte sofre variações periódicas que não são repassadas imediatamente à tarifa paga pelo consumidor. A diferença entre o preço do gás e transporte considerado na tarifa paga pelo consumidor e o preço real pago pela concessionária ao seu fornecedor, a Petrobras, é registrado em uma conta-corrente regulatória, denominada conta gráfica.

Quando essa conta atinge determinado montante, torna-se necessário efetuar o repasse do seu saldo na tarifa final, o que pode resultar em aumento de tarifa (se o preço do gás e transporte aumenta) ou diminuição (quando o preço do gás e transporte diminui)”, informou a Arsesp.

Segundo a Agência, não foi feita nenhuma alteração na Margem Máxima da concessionária. Os aumentos começaram em 8,58% (fornecimento residencial até 5m³) e alcançaram até 40,11% (GNV).

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