Foram os alimentos e a energia, estúpido!

Fatos & Comentários / 12 Janeiro 2018

Esqueça aquele lenga-lenga que atribui à Nova Matriz Econômica todos os males do Brasil. A política tortuosamente implementada por Guido Mantega e equipe teve muitos defeitos e causou alguns problemas, mas não foi ela que jogou o país na brutal recessão e na estagnação atual. Em um ponto, em especial, a alta da inflação, é um erro atribuir a causa às medidas do primeiro Governo Dilma. Como visto esta semana, e finalmente admitido pelo Banco Central, foi a deflação nos preços dos alimentos que segurou o IPCA. Da mesma forma, os preços dos produtos agrícolas, junto com as tarifas de energia, foram os principais responsáveis pela inflação em 2015 e 2016. Resumindo em uma palavra: seca – que assolou o Brasil desde 2014.

O IPCA passou de 6,41% (2014) para 10,67% (2015). A maior contribuição para a alta em 2015 veio do item Alimentação e Bebidas, com impacto de 3 pontos percentuais (p.p.) no índice final. A segunda, Habitação (2,69 p.p.), item no qual se destacou o reajuste das tarifas de energia (este, sozinho, responsável por 1,5 p.p.). Energia elétrica e combustíveis, combinados, foram responsáveis por um quarto da inflação de 2015. No caso dos combustíveis, pesaram a desvalorização do real e a recomposição do caixa da Petrobras. Os três componentes, portanto, responderam por mais da metade da inflação do ano – e nenhum dos três responde à alta ou redução dos juros, a não ser marginalmente, devido à recessão incitada pela alta das taxas pelo BC.

Em 2016, o IPCA recuou para 6,29%. Alimentação e Bebidas continuou sendo o item de maior impacto, mas agora com 2,17 p.p. (houve queda na variação anual de 12,03% para 8,62%). Lembre-se que um quarto das despesas das famílias se concentram neste item. Quanto à energia, vejamos o que disse o IBGE: “A principal contribuição que ajudou a conter a taxa do IPCA do ano veio da energia elétrica, do grupo Habitação (2,85%), com o consumidor pagando 10,66% a menos nas contas e gerando impacto de -0,43 p.p.” Impacto negativo, portanto.

Já em 2017, os dados saíram esta semana e ainda estão fresquinhos na mente: queda de 1,87% em Alimentação e Bebidas, com impacto negativo no índice final de 0,48 p.p., devido à safra recorde. Habitação teve a maior influência para cima, por causa das altas no preço do botijão de gás e na tarifa de energia, com uma elevação deste grupo de 6,26% e impacto de 0,95 p.p.

Assim, como bem definiu o MONITOR em sua primeira página de quinta-feira, não foi a pajelança do Banco Central a responsável pela queda da inflação. Porém, a alta de juros e a política fiscal equivocada, estas, sim, levaram a economia do país a desabar, causando desemprego e estrangulando União, estados e municípios.

 

Força solar

O Governo de São Paulo isentou de ICMS componentes de geração solar fotovoltaica para consumo de energia em prédios próprios públicos estaduais. A norma divulgada no final de dezembro de 2017 atende a uma demanda do setor fotovoltaico ao validar o convênio ICMS 114/2017 celebrado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

É preciso avançar para que unidades residenciais privadas também sejam beneficiadas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresenta em janeiro de 2018 o ranking brasileiro de geração distribuída. Em primeiro lugar está Minas Gerais, com 4.414 unidades consumidoras. Vêm a seguir São Paulo (4 mil), Rio Grande do Sul (2.478), Rio de Janeiro (1.609) e Santa Catarina (1.458).

Em termos de potência instalada, MG lidera com folga (72 mil kW), seguida pelo RS (30 mil kW), SP (24 mil kW) e Ceará (22 mil kW)

 

Tietê?

A companhia aérea KLM realiza concurso, valendo uma passagem com acompanhante, em que o cliente escolhe três cidades que gostaria de visitar. Na foto com a legenda “São Paulo”, aparece uma praia.

 

Atiraram no PT e acertaram no PSDB

Apesar de todo a artilharia contrária, o PT fechou 2017 no zero a zero em termos de número de filiados: perda de apenas 82 integrantes. O PSDB foi o que mais perdeu: 10 mil abandonaram o tucanato. O PSOL comemora: com 24 mil novos filiados, foi o que mais cresceu.

 

Rápidas

A Contabilizei lançou uma calculadora de impostos (https://www.contabilizei.com.br/calcular-simples-nacional) do Novo Simples Nacional para 2018. Em poucos cliques, ela informa quanto será cada alíquota da empresa no próximo ano, e se ela vai mudar ou não de anexo *** Entre 18 e 20 de janeiro, o Pátio Alcântara recebe a Mostra de Orquídeas, com exposição e vendas.