Foco no Oriente Médio e olho em Trump

Presidente dos EUA disse que Soleimani já deveria ter saído de cena antes, mas, ao mesmo tempo, chamou o Irã para a mesa de negociações.

Opinião do Analista / 12:12 - 9 de jan de 2020

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Em nosso comentário de abertura de ontem, indicamos que os investidores estariam novamente com foco nos conflitos entre EUA e o Irã e que Trump daria declaração perto da hora do almoço. Assim, os investidores ficaram especulando qual seria a postura do presidente, quase sempre beligerante.

Pouco depois da 13 horas (de Brasília), Trump começou seu discurso sendo, ao mesmo tempo, duro e condescendente. Falou que o general Soleimani já deveria ter saído de cena antes, que emitiria novas sanções contra o Irã, e que enquanto fosse presidente, o Irã não teria armas nucleares. Mas, ao mesmo tempo, chamou o Irã para a mesa de negociações de um novo acordo nuclear com os países signatários e os EUA e disse não querer usar a força militar. Também pediu maior envolvimento da Otan no Oriente Médio.

Foi o que bastou para os mercados reagirem. O petróleo chegou a cair mais de 5%, o dólar se fortaleceu e as Bolsas americanas engataram maior recuperação. Por aqui, nem tanto, já que as ações da Petrobras em queda (barril de petróleo e incertezas internas) segurou maior desenvolvimento. A conclusão que se pode extrair é que o nível de conflito atual não prejudica a economia americana.

Também tivemos a nova pesquisa ADP sobre criação de vagas no setor privado americano com expansão de 202 mil vagas, bem maior que a previsão de 150 mil vagas. Os estoques de petróleo bem maiores na semana anterior também influíram no comportamento das cotações do óleo no mercado internacional. O preço do barril WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 4,90% e cotado a US$ 59,63, e o Brent com queda de 4,22 e barril em US$ 65,39. Convém lembrar que, durante a madrugada, o Brent vazou a cotação de US$ 70.

O euro era transacionado em queda para US$ 1,111 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em alta para 1,86%. O ouro e a prata negociados na Comex reverteram tendência e passaram a operar em queda. Commodities agrícolas operando com viés de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China durante a madrugada encerrou com alta de 1,17%, cotado a US$ 96,22. Isso beneficiou a recuperação das ações da Vale e siderurgia.

No segmento local, o IBGE mostrou sua estimativa de safra 2020 em 243,2 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 0,7% sobre a safra 2019 que teve recorde em 241,5 milhões de toneladas. Convém lembrar que 2019 mostrou expansão de 6,6% sobre a safra de 2018. O ministro Paulo Guedes declarou que apesar da safra recorde, alguns preços estão subindo por conta da demanda externa (notadamente proteínas) e câmbio.

O BC anunciou que o fluxo cambial de dezembro foi negativo em US$ 17,6 bilhões (financeiro com US$ -19,9 bilhões), acumulando no ano fluxo também negativo de US$ 44,77 bilhões. No ano, o BC acusou prejuízo nas operações de swap de R$ 7,6 bilhões e os bancos fecharam 2019 vendidos em câmbio em US$ 33,93 bilhões.

Computou ainda expansão da base monetária em 2019, fechando o ano em R$ 316,6 bilhões e posição cambial líquida de US$ 327,8 bilhões.

O Índice de Preço do Produtor (IPP) de 2019 fechou com alta de 4,55% e da indústria extrativa com +4,86%. No mercado, dia de DIs com comportamento de queda de juros para os vencimentos de maior liquidez e o dólar encerrando com -0,31% e cotado a R$ 4,052. Na Bovespa, na sessão de 06/1, os investidores estrangeiros retiraram recursos no montante de R$ 195,3 milhões, deixando o saldo de janeiro ainda positivo em R$ 257,8 milhões.

No mercado acionário, dia de recuperação das Bolsas europeias, com Londres em alta de 0,01%, Paris mostrando +0,31% e Frankfurt com +0,71%. Madri e Milão também com altas de respectivamente 0,16% e 0,46%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,57% e Nasdaq com +0,67%. No finalzinho, surgiram boatos de que mísseis tinham atingido Bagdá, na zona verde. Vamos esperar confirmação. Na Bovespa, dia de -0,36% e índice em 116.247 pontos. Foi o quarto pregão seguido de queda.

Na agenda desta quinta, o IBGE mostra a produção industrial de novembro, na Alemanha, a produção industrial de novembro e na Zona do Euro a taxa de desemprego também de novembro. Nos EUA, discursos de vários dirigentes regionais do Fed e os pedidos de auxílio-desemprego.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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