Foco no Oriente Médio

Mercados reagiram forte ontem com o petróleo subindo mais de 4% e a Bolsa de Tóquio abrindo com forte queda.

Opinião do Analista / 12:38 - 8 de jan de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O Oriente Médio voltou com força total ao foco dos investidores no mundo. Ontem, no início da noite, o Irã bombardeou com dezenas de mísseis duas bases aéreas conjuntas EUA/Iraque (Al-Assad e Erbil), situadas no Iraque. O líder Ali Khamenei disse que as medidas foram vinganças pelo assassinato de Suleimani e proporcional ao ataque da virada do ano produzido pelos EUA.

O presidente Donald Trump foi avisado da escaramuça e prometeu falar hoje pela manhã sobre isso e reuniu a cúpula de seu governo. A Câmara também foi comunicada.

Logo em seguida, os mercados reagiram forte com o petróleo subindo mais de 4% e a Bolsa de Tóquio abrindo com forte queda. Ao longo da madrugada o impacto foi sendo absorvido, mas os mercados asiáticos encerraram o dia com quedas e Bolsa de Tóquio perdendo 1,57%. O dia começou também com quedas nos principais mercados da Europa e os índices futuros do mercado americano também operando no campo negativo nesse início de manhã.

A Bovespa deve seguir caminho idêntico no início do pregão, mas os investidores vão aguardar as declarações americanas para avaliar a situação. De qualquer forma as empresas aéreas estão mudando rotas na região. Os mercados de risco que vinham buscando novo equilíbrio voltaram a desequilibrar e o dólar sobe frente outras principais moedas.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson vai indicar à Comissão Europeia que o prazo para transição do Brexit será até final do ano. Na Alemanha, as encomendas à indústria de novembro encolheram 1,3%, com a taxa anual também encolhendo 6,5%. Já na Zona do Euro, o índice de sentimento econômico de dezembro subiu para 101,5 pontos, de anterior em 101,2 pontos.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de somente 0,21%, com o barril cotado a US$ 62,83, enquanto o óleo tipo Brent subia 0,48%, com barril em 68,60, depois de ter vazado US$ 70 no início da noite. O euro era transacionado em queda para US$ 1,113 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,804%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, Bolsonaro sancionou o antigo Coaf (hoje UIF) dentro do Banco Central e os Estados da Federação descartaram plano do presidente Bolsonaro de cortar o ICMS dos combustíveis. Pensamos que qualquer interferência casuística nos preços dos derivados seria danosa para a Petrobras que vem alienando ativos (refinarias, principalmente) e para a operação que começou a entrar em curso de venda de ações da empresa pelo BNDES.

Os incêndios que acontecem na Austrália devem beneficiar a exportação de carnes pelo Brasil, apesar de produtores australianos estarem antecipando abates. Nossa expectativa para o começo do dia é de Bovespa operando em queda, dólar mais forte e juros em queda. Os investidores ainda buscam proteção contra os mercados de risco. Porém, todos vão aguardar o posicionamento de Trump que prometeu ontem mesmo que o Irã sofreria as consequências de um ataque desproporcional em resposta.

A agenda do dia também tem capacidade de mudar um pouco o quadro dos mercados ao longo do dia. Portanto, o momento exige prudência nas operações de curto prazo.

.

Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor