Advertisement

FMI vê aumento de risco na economia mundial com problemas nos bancos

Dívida privada recorde nos EUA se soma a piora da qualidade dos devedores.

Internacional / 10 Abril 2019 - 22:39

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Nos Estados Unidos, a relação entre a dívida das empresas e o PIB está em níveis sem precedentes. Em vários países europeus, os bancos estão sobrecarregados com títulos públicos. Na China, a lucratividade dos bancos está em declínio, e os níveis de capital se mantêm baixos nas financeiras de pequeno e médio porte.
Este é o quadro das vulnerabilidades nas economias avançadas e mercados emergentes exposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo o mais recente Global Financial Stabi-lity Report. “Ainda não são motivo de alarme, mas se continuarem a se acumular, sobretudo em meio a condições financeiras ainda brandas, poderão amplificar os choques na economia mundial, aumentando as chances de uma grave retração econômica daqui a alguns anos”, avisam os pesquisadores Tobias Adrian e Fabio Natalucci.
No momento em que a economia está em desaceleração, a fragilidade financeira impõe uma dificuldade extra para os governos. Se os bancos centrais adotarem uma política monetária mais frouxa, podem evitar a deterioração da economia. Mas as vulnerabilidades continuarão a se acumular, e as chances de uma queda acentuada do crescimento econômico em algum ponto mais adiante serão maiores, explicam os pesquisadores do FMI.
Tobias Adrian, conselheiro financeiro e diretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais, e Fabio Natalucci, subdiretor do Departamento, apontam uma boa notícia: os riscos de curto prazo para a estabilidade financeira mundial ainda são baixos para os padrões históricos, embora sejam ligeiramente maiores do que os apontados no Global Financial Stability Report de outubro de 2018. No médio prazo, porém, os riscos permanecem elevados.
Eles listam algumas vulnerabilidades mais graves. Nas economias avançadas, além de a dívida aumentar, a qualidade dos devedores se deteriorou. O estoque de títulos com classificação BBB (o nível mais baixo do grau de investimento) quadruplicou, e o estoque de créditos de grau especulativo quase dobrou nos Estados Unidos e na área do euro desde a crise.
Na área do euro, uma elevação acentuada dos rendimentos dos títulos acarretaria “perdas significativas” para os bancos detentores de grandes volumes de dívida pública. As companhias seguradoras também poderiam enfrentar perdas.
“Em algumas circunstâncias, países com economias fortes e inflação na meta ou acima dela também podem estudar a possibilidade de usar a política monetária para ‘ir contra a corrente’. Com a combinação certa de políticas, os países podem manter suas economias em movimento enquanto também limitam os riscos para a estabilidade financeira”, acreditam Adrian e Nata-lucci.
 

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor